1. Alizarin Crimson
O pigmento usado na antiguidade como Alizarin Crimson possui o índice de cor NR9, uma laca vegetal extraída da planta Rubia Tinctorium, usada desde os remotos tempos das civilizações egípcia e romana. Seus principais constituintes são a Alizarina e a Purpurina. Devido a suas propriedades não permanentes recebe índice “IV” (fugitivo), e essa formulação original foi então substituída por uma substância orgânica que recebeu o índice de cor PR83 (índice III, pouca permanência) , uma forma sintética do pigmento original, sem a purpurina. Portanto, o PR83 é mais permanente do que sua formulação original, o NR9, mas ainda apresenta certo grau de não permanência. O PR83 acabou se tornando o substituto oficial do Aliazarin legítimo, e acaba por ser chamado de Alizarin “Original”, embora na realidade seja o NR9 o verdadeiro Alizarin natural. Para evitar confusão, nesse artigo, chamo de Alizarin original o PR83 (ou PR83:1), sua versão sintética.
Muitos fabricantes substituíram o PR83 por outros pigmentos mais permanentes, como o PR177, PR179, PR264 e o PV19. Mas praticamente todos seus substitutos possuem um grau de não permanência. Os melhores substitutos são o PV19 (“I”, excelente) e o PR264 (“I-II”, bom), pois até o momento, não parecem ser alvo da crítica da maioria dos artistas que investigam a permanência de seus materiais. Mas uma outra questão importante, é que nem somente um substituto é idêntico em cor, enquanto outros não simulam a cor com exatidão. Alguns mostram-se mais avermelhados ou mais violetados. É uma questão de adquirir o produto e compará-lo ao Alizarin original. O PR264 é o único praticamente idêntico ao Alizarin original, em cor e transparência. O PV19 e o PR177 são pigmentos que podem mostrar inúmeras variantes de cor, e geralmente se parecem menos com o Alizarin original, mas isso pode variar de marca para marca.
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| Raiz da Rubia Tinctorium |
Se voce acha que só ficará satisfeito com algo próximo mas permanente, mas não perfeitamente igual em termos de cor, a Cozinha recomenda testar o PV19 para averiguar qual marca pode oeferecer esse pigmento numa cor próxima. Se prefere algo idêntico e com boa permanência (embora seja menos permanente que o PV19) experimente o PR264 ou o PR177 (geralmente menos parecido). Ambas opções são mais permanentes do que o Alizarin original, e não será necessário se preocupar com permanência, resolvendo prontamente o problema.
Mas e quanto aos artistas que possuem vários tubos do pigmento original e não querem abrir mão dos mesmos? Embora o melhor seja substituir esse pigmento, pois não há solução para sua falta de permanência, tenho conhecimento de algumas observações interessantes, pouco divulgadas. As mesmas podem ser úteis na maneira como o pigmento é usado, numa tentativa de minimizar sua propriedade fugitiva. Portanto, os mais disciplinados, podem usar essas informações. No entanto, recomendo fortemente que o pigmento seja substituido pelo PV19, PR264 ou ainda pelo PR177 (“I-II”, bom).
2. Substitutos
A linha Rembrandt, da Talens, oferece o Permanent Madder Deep (PR264 – “I-II”). A linha Georgian, da Daler-Rowney oferece o Permanent Alizarin Crimson (PV19 – “I”). A Artist´s Oil, linha profissional da Winsor & Newton oferece o Permanent Alizarin Crimson (PR177 – “I-II”). A Winton, linha estudante da Winsor & Newton também oferece o Permanent Alizarin Crimson (PR177 – “I-II”).
3. Misturas
O Alizarin original perde significantemente a cor principalmente quando misturado a outros pigmentos. Como exemplo, a maior parte das cores minerais não calcificadas contribuem para a perda de sua cor: Amarelo Ocre, Amarelo Nápoles, Sombra Natural e Siena Natural. Mas os óxidos de ferro calcificados, não contribuem para a perda de sua cor, como o Sombra Queimada, Terra de Siena Queimada, Indian Red, Tuscan Red, etc.
Algumas cores “químicas” seguras para mistura são: Amarelo de Cádmio, Vermillion (original) e qualquer pigmento Preto (PBk). As cores sintéticas provadas como reagentes na perda de sua cor são: Os Chromos, Branco de Chumbo, Branco de Zinco e Amarelo Nápoles. A lista de cores é complexa, tornando o uso do pigmento um procedimento restrito, fazendo necessário a consulta a uma dessas listas sempre que o Alizarin for empregado numa mistura. Não muito prático.
4. Em velaturas
No entanto, a maneira mais segura de se usar o Alizarin PR83 (ou PR83:1 – “III”) é isolando-o dos outros pigmentos. Se o artista isolá-lo numa velatura, tendo certeza de que a camada anterior esteja completamente seca, estará diminuindo drasticamente suas chances de perda de cor provocada por reação a outros pigmentos.
Apesar de algumas fontes afirmarem que o uso isolado da cor é suficiente para a solução do problema, é bom ter ressalvas quanto a afirmação. Em alguns meses terei os resultados de meu teste de permanência, analisaremos juntos tão logo tenha o resultado. Na minha opinião, (e nesse caso, por enquanto, é somente um palpite) julgo que a perda de cor provocada pela ação dos raios ultra-violetas não será bloqueada com essas medidas, ainda permanecendo possível que a longo prazo o pigmento desbote.
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BIBLIOGRAFIA
LAURIE; A.P.; The Painter´s Method´s and Materials; Dover; 1967.
DELAMARE; Guineau; Colors: The Story of Dyes and Pigments; Harry Abrams; 2000.
MAYER; Ralph; Manual do Artista; Martins Fontes; 1950; 1957 e 1970.
AMIEN; Art Materials Information and Education Center; 2011.


