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| Material de divulgação com especificações técnicas |
| Testes de carga pigmentária e opacidade |
Particularidades de Todas as Linhas Schmincke
Todas as linhas levam como veículo um mix que pode ser a combinação de inúmeros óleos vegetais, como o óleo de linhaça, papoula, cártamo ou girassol em proporções variáveis de acordo com cada pigmento. Isto é, algumas cores possuem mais óleo de linhaça do que de papoula, enquanto outras, o inverso. Interessante notar que a Schmincke não faz uso do óleo de nozes, provavelmente pelo altíssimo custo do material e pela sua semelhança a outros óleos com pouca concentração de ácido linolênico, esses podem ser tranquilamente empregados surtindo o mesmo efeito.
Esse é um meio interessante de balancear o tempo de secagem entre as cores, sem o uso de adulterações nocivas como secantes metálicos, ou diminuição da carga pigmentária, não raros em algumas marcas famosas. Apesar de pessoalmente não me incomodar com os diferentes tempos de secagem entre as cores, e dar preferência ao uso exclusivo do óleo de linhaça, o mix usado pela Schmincke pode oferecer maior segurança para os mais descuidados acerca das regras gordo sobre magro, assim como proporcionar uma secagem mais uniforme entre diferentes cores numa pintura alla prima. Pessoalmente, daria preferência ao uso exclusivo do óleo de linhaça, no entanto, como anteriormente discutido em outro post, as diferenças de amarelamento são tão sutis que realmente, não faz muito diferença ao artista. Acredito que esse mix de óleos seja mais importante ao tempo de secagem. Será interessante testar uma cor de secagem tipicamente rápida, como o Sombra Queimada, e comparar os resultados com outras marcas.
| Baumgart, Diretor Comercial e de Marketing Schmincke |
No dia posterior da apresentação, o Mestre Caetano Ferrari foi muito gentil ao me fornecer algumas observações adicionais sobre o processo de ripening. Essa prática também é usada pela Winsor & Newton e na Talens, observada por ele nessas fábricas. Mas não há moagem posterior, ao contrário do que eu havia imaginado. Ferrari explica o processo:
Somente a camada de óleo que ficou na superfície é retirada, suja, com o pouco do pigmento que ficou nessa faixa de 3/5 cms. de óleo. Esse óleo extraído (que é pouco) vai para sistemas municipais de lixo especial, é perdido…
Linha Akademie
Com preços mais populares, a linha Akademie possui 48 cores em sua paleta, e segundo o catálogo da Schmincke, possui grande número de tintas com três ou mais pigmentos, deixando um pouco a desejar, mas natural numa linha estudante. Além disso, devemos lembrar que isso se reflete no preço. É interessante que se tenha uma linha mais econômica, para ser usada em estudos e trabalhos que não sejam importantes. Ainda assim, contém carga pigmentária razoável, segundo meu teste de carga, melhor do que por exemplo, as linhas para estudante de inúmeras marcas estrangeiras, como o caso da Van Gogh (Talens). Obteve nesse quesito (carga pigmentária) um resultado muito parecido com o da linha Winton (W&N), se não melhor, dependendo da cor. Na linha Akademie, assim como nas outras tintas Schmincke, é notável a excelente dispersão resultante do processo de amadurecimento da tinta. Nenhum tubo da Schmincke, inclusive um tubo de Azul Ultramar, famoso por escorrer muito óleo, apresentou escorrimento prematuro do tubo, fato tão comum na maioria das outras marcas.
Linha Norma Professional
Com praticamente o dobro de cores (84) do que a Akademie, a linha Norma oferece um maior número de tintas mono pigmentadas, mas algumas cores ainda possuem dois ou três pigmentos, como o caso do Vermillion (PR255/PO62) , Carmine Red (PR179/PV19) e o Sienna Natural (PY43/PBr7). A carga pigmentária é boa, mas relutaria em chamar essa linha de profissional, sendo em minha opinião, uma ponte entre uma linha estudante e profissional, que certamente possui uma função prática dentro de qualquer ateliê. Digo isso pelas opções de formulações das cores. Seria muito interessante se a Schmincke pudesse aproximar as formulações dessa linha as formulações da Mussini, oferecendo um maior número de cores mono pigmentárias para essa linha. A linha Norma possui uma consistência muito mais próxima de uma tinta artesanal do que da pasta amanteigada, e muitas vezes dura, das tintas industriais, e a ausência de escorrimento de óleo é certamente um plus, assim como a quantidade de cores oferecida.
Uma característica peculiar da Mussini é que entre seus componentes está uma pequena carga (variável comforme o pigmento) de resina Damar. Não quero entrar novamente na discussão sobre uso de resinas, mas é importante observar que nesse caso, não estamos tratando aqui de adições e grandes quantidades de medium resinoso, mas sim uma pequena porção de resina adicionada a tinta. Isso certamente possui implicações diferentes. A fragrância promovida pela adição do solvente e da resina são percebidos facilmente.
Apesar de alguns pintores relutarem quanto ao uso das resinas, é importante que se admita que no caso da Mussini, trata-se da resina considerada hoje como a mais segura para o uso na pintura, ao contrário de resinas como o Mastíque. Mas algo interessante entra aqui. As principais funções das resinas são promover maior adesão entre as camadas e aumentar a saturação das cores, caindo como uma luva numa linha onde é possível encontrar 42 cores transparentes. É notável como uma linha de cores moderna possa favorecer principalmente aos pintores que usam uma abordagem de pintura indireta. As cores transparentes são essenciais para o uso em velaturas, e considero-as menos versáteis aqueles que pintam alla prima, portanto, a Mussini me parece uma grande opção para aqueles que recorrem as técnicas originárias de antes do impressionismo.
A empresa diz que a adição de verniz damar a sua formulação (solvente + resina) promove um melhor “respiro” da tinta, pois a evaporação do solvente abre “caminho” na massa corpórea da tinta e permite que uma maior oxigenação ocorra no filme, promovendo uma melhor secagem de “dentro para fora”. A teoria faz sentido, mas nunca li nenhum artigo científico que de fato comprove isso. Extremamente interessante, a ser conferido e discutido.
Talvez de 60 a 70% das cores sejam mono pigmentárias. Destaque em especial ao Vermillion feito de PR255, Sombra Queimada Claro (PBr7) e Atrament (PBk7). Ainda tenho que averiguar o catálogo de forma mais plena e estudar cada opção de pigmento. Postarei aqui, novas análises sobre particularidades da vasta paleta Mussini.
| Linha Mussini Gold Edition |
Considerações Finais
A linha Mussini é sem sombra de dúvida a grande estrela da Schmincke. Uma tinta de fatura cuidadosa, atenciosa, de consistência diferente do que comumente se encontra no mercado, com muitas opções interessantes em cores mono pigmentadas. Tendo quantidades de pigmento similares a outras marcas profissionnais, julgo como seus atributos mais interessantes a sua consistência artesanal, dispersão perfeita e a opção de grande número de cores transparentes. Quanto a sua característica mais divulgada, a adição de resina, creio ser vantagem principalmente ao pintor de abordagem indireta, oferecendo pouca vantagem, além de maior saturação das cores, para os que usam um método mais direto. Considero a Mussini uma opção de tinta premium que não pode ser ignorada.
A Cozinha agradece imensamente a Markus Baumgart e a Schmincke, pela atenção e solicitude, assim como pela bondade em responder todas as nossas perguntas e ainda nos fornecer catálogos, amostras e abundante material técnico sobre os procedimentos da empresa. Não temos palavras para agradecer sua atenção. Aos amigos da Casa do Artista, David, Alberto e Caetano, nossa gratidão pelo tratamento mais que especial e todo o carinho. Um evento sensacional. Mais uma vez, parabéns pela iniciativa!
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