Adição de nota em Maio de 2014:
O artigo a seguir foi escrito em 2012. Necessita de uma revisão, pois algumas marcas citadas mudaram drasticamente em termos de qualidade, como o caso da Michael Harding e principalmente a Maimeri Puro. Testes posteriores feitos com a Robert Doak e outras tintas que não foram testadas para esse artigos também mudariam completamente esse TOP5 se tivessem sido consideradas. Aguardem um novo e atualizado TOP5.
Já fazem praticamente três anos que começamos a avaliar algumas marcas de tintas, culminando num breve artigo que analisava algumas dessas marcas testadas. Nesse meio tempo, outras marcas que não tiveram a chance de entrar nessa pesquisa acabaram por passar por alguns teste novos recentemente, algo que ficamos devendo aos leitores: uma lista com as cinco melhores tintas da atualidade, o topo do topo, as melhores tintas das linhas “premium”.
A colocação das outras marcas que ficaram abaixo desse TOP 5 não é mostrado nesse artigo, pois a idéia é mostrar o que há de melhor: as cinco finalistas de uma lista de 35 linhas de tintas. Note que, a Cozinha da Pintura não considera as tintas que ficaram abaixo do TOP 5 como tintas de máqualidade: o intuito dessa lista é mostrar as tintas que atualmente mostram excelência extra, exacerbada, em todos os níveis, praticamente artigos de luxo. Isso não quer dizer que todos devam pintar exclusivamente com essas tintas. É somente uma interessante curiosidade, frequentemente indagada pelos leitores. Portanto, devido aos pedidos, finalmente no ar o tão esperado resultado dessa pesquisa: quais são as tintas mais luxuosas do mercado?
Mesmo procurando por o que há de melhor, decidimos avaliar na pesquisa até mesmo as tintas já consideradas de “má qualidade”. Numa pesquisa acadêmica, seguindo as normas científicas, é necessário abandonar preconceitos, no sentido literal da palavra, e analisar até mesmo o que se julga como conhecimento comum. Mesmo numa pesquisa almejando encontrar o que há de melhor, o que há de pior deve entrar como um item a ser avaliado. É natural que, conforme a pesquisa segue, os produtos inadequados fiquem de fora, ainda mais nesse caso, onde mais de 30 items foram avaliados e somente os 5 últimos entrariam para a lista das “5 mais”.
O começo da pesquisa mostrou-se muito fácil, principalmente para separar as tintas de alta pigmentação e baixa pigmentação. Conforme a pesquisa evoluiu, as 15 últimas marcas mostraram resultados tão próximos que dificultaram enormemente o trabalho de julgá-las, e a coisa se tornou ainda mais complicada entre as 10 marcas usadas para avaliar quais dessas seriam as 5 melhores. Para ajudar a Cozinha da Pintura nessa delicada tarefa, contamos com a opinião de colegas que através de correspondência puderam expor suas experiências com as diferentes marcas. O resultado da pesquisa é a soma dessas opiniões. Diferentes tipos de profissionais, brasileiros e estrangeiros, que de alguma forma tiveram abundante contato com as marcas avaliadas e que colaboraram com a Cozinha da Pintura.
Método
No começo da avaliação, juntamos todos os tipos de tintas, inclusive as mais baratas do mercado, não houve distinção entre tintas de linha estudante e profissional. Ambas distinções foram avaliadas juntas. Dessa forma, as tintas rotuladas como “linha estudante” foram eliminadas com o desenvolvimento da pesquisa, pois as tintas “profissionais” possuem naturalmente maior carga pigmentária. Ao final da pesquisa, quando somente 15 ou 10 tintas sobraram, a análise começa a tomar um novo rumo, muito mais complicado.
Essa lista com as cinco melhores tintas disponíveis no mundo, tratando-se de produtos altamente qualificados, é o que há de melhor no mercado. Se o artista deseja produtos mais econômicos, o TOP 5 não é exatamente útil. Uma lista que separa as tintas de linha “profissionais” das linhas “estudante” pode ser encontrada num artigo anterior, com opções mais econômicas. É importante lembrar que praticamente qualquer tinta profissional é altamente recomendada para fins artísticos.
Todas as marcas em nossos testes foram usadas para pintura alla prima e para pintura em camadas, usando diferentes mediums, todas foram submetidas a testes de pigmentação, solubilidade de película, secagem, resistência a raios UV e amarelamento.
Critérios avaliados:
1. Proporção Veículo/Pigmento/Fillers (Carga Pigmentária/Cobertura)
2. Qualidade do Veículo (Nível de Amarelamento/Blends)
3. Disponibilidade de Cores Mono-pigmentarias
4. Qualidade do Pigmento (Intensidade das Cores/Comparação com cor clássica convencional)
5. Corpo, Densidade e Reologia (Mobilidade, Alastramento)
6. Conservação e Longevidade (Resistência, Elasticidade, Solubilidade)
Tintas avaliadas (35 linhas, 29 marcas): Corfix, Acrilex, Gato Preto, Águia, Sennelier, Louvre, Van Gogh, Amsterdam, Rembrandt, W&N Artist´s Oil, Winton, Williamsburg, Gamblin, Blue Ridge, Rublev, Maimeri Clássico, Maimeri Puro, Georgian, Mussini, Blockx, Vasari, Old Holland, Permalba, Zecchi, Da Vinci, Art Spectrum, Michael Harding, Richeson Shiva, Holbein, M. Graham, Daniel Smith, Grumbacher, Robert Doak, Norma, Reeves, LeFranc Fine Artist Oils.
Obs.: Na época em que concluímos essa pesquisa, algumas marcas importantes ficaram de fora, como a Lukas, Akademie, Old Holland para citar somente algumas. Tinhamos um budget limitado, mas ainda assim, conseguimos o impressionante número de 35 linhas de tintas.
É interessante lembrar que as empresas de tintas costumam variar de tempos em tempos suas diferentes linhas de tintas, fazendo com que a qualidade caia ou aumente. É sempre valido experimentar a mesma marca de tempos em tempos, e descobrir se algo novo introduzido em sua formulação trouxe alguma diferença significativa.
É provavel qua a grande maioria dos leitores não se sintam familiarizados com as marcas desse TOP 5. São tintas de excelentíssima qualidade, e a maioria não é comercializada das lojas de materiais artísticos norte americanas, muito menos no Brasil. Para aqueles dispostos a investir em tintas de primeira, a Cozinha da Pintura tem o prazer de apresentar aos leitores algumas marcas desconhecidas ao público brasileiro, sequer citadas em textos ou artigos em português:
TOP 5 Cozinha da Pintura – Melhores Tintas do Mundo
As cinco linhas de tintas mostradas aqui são as melhores tintas de 35 linhas testadas, discutidas e analisadas. Seria uma perda de tempo discutir ou descrever a carga pigmentária ou a qualidade dos pigmentos usados, de cada uma delas, sendo que todas apresentam boas a excelente qualidades nesses quesitos. Portanto, descreverei somente as características mais expressivas de cada uma delas.
TOP 5
Maimeri Puro
Gianni Maimeri fundou a Maimeri em 1923, perto de Milão. A linha Puro da Maimeri clama ser feita com “nada mais do que óleo e pigmento”. Embora qualquer “colour man” saiba que isso não é exatamente verdade em alguns casos, a linha Puro impressiona qualquer artista. Algumas cores possuem textura muito próxima a tinta artesanal, enquanto outras apresentam uma textura mais parecida com a das tintas industriais.
Assim como a Williamsburg, possui algumas cores não mono-pigmentárias em sua paleta. Em inúmeras fontes registram uso de somente óleo de papoula e cártamo, mas claramente usa óleo de linhaça em algumas cores. Possivel uso de “blends”, o que pode significar uma vantagem ou desvantagem dependendo da preferência do artista. A paleta da Maimeri é bem clássica com poucas “viagens” de nomes fantasiosos. É uma tinta muito boa, mas assim como a Williamsburg poderia disponibilizar maior quantidade de cores mono-pigmentárias. Algumas cores possuem uma dispersão pouco adequada, desprendendo grande quantidade de óleo. Para os amantes das terras naturais, possui boa quantidade de opções. Os cádmios são muito bons. 80 cores em catálogo.
Williamsburg
A Williamsburg foi fundada no Brooklyn, Nova Iorque, em 1980. Foi desenvolvida por Carl Plansky, e em pouco tempo chegou a se tornar muito procurada por artistas de destaque nos EUA. A Williamsburg confia tanto em sua qualidade, que possui uma “garantia”: caso encontre uma tinta que goste mais do que a Williamsburg, 100% de seu dinheiro é devolvido. Em 2010, a Williamsburg foi comprada pela Golden, e hoje, teme-se que a tinta perca seu cuidado e zêlo original.
A Golden prometeu manter exatamente como antes, mas algumas cores do antigo catálogo da Williamsburg já foram descontinuadas. Um assorteamento muito interessante de terras, cores clássicas, cores modernas e cores “exclusivas” (mix de pigmentos criados pela marca). Os aspectos negativos são a quantidade de cores feitas com misturas de pigmentos e as cores fantasiosas que não possuem muito sentido numa paleta tão extensa. Algumas cores dessa linha são perfeitas, enquanto outras deixam a desejar (em diferentes quesitos). A dispersão das cores é excelente, assim como a carga pigmentária. Alguns artistas acostumados a tintas com baixa carga pigmentária podem estranhar algumas cores (como as terras) pois as mesmas apresentam tamanha carga de pigmento que praticamente oferecem uma textura arenosa, de difícil cobertura e mobilidade. Isso não acontece com as variantes sintéticas e inorgânicas como os cádmios, cromos e outras. 130 cores em catálogo.
Robert Doak
A empresa também foi fundada no Brooklyn, assim como a Williamsburg, por Robert Doak, um apaixonado por pigmentos que possui uma pesquisa que já soma 75 anos. Artistas de renome confessam ser clientes de Doak, como Julian Schnabel, John Currin, Cecily Brown e outros que pedem sigilo sobre sua preferência de tinta, mas que boatos confirmam a preferência pela marca. Robert trocou inúmeras vezes informações com a Cozinha da Pintura nos últimos sete anos e provou ser um dos maiores “colour man” de nosso tempo. Seu conhecimento de pigmentos, veículos e fatura de tinta a óleo é um dos mais notáveis em todo o mundo.
A consistência das tintas mudam conforme o pigmento usado, correspondendo as características de uma tinta verdadeiramente artesanal.Todas as tintas levam um blend de óleo de papoula e óleo de nozes em diferentes quantidades ajustadas para cada tipo de pigmento. Assim como a Williamsburg, oferece grande quantidade de cores clássicas e outras menos populares, com diversas cores “exclusivas”. Destaque especial para o assorteamento de cores \”raras e especiais\”, um leque supreendente de opções com precisão histórica. 143 cores em catálogo.
TOP 2
Vasari
A Vasari é outra marca Nova Iorquina, fundada em 1995. Assim como os outros Tops anteriores (com exceção da Maimeri) a Vasari é envazada a mão e não leva nenhum tipo de adição de cera, silicatos, carbonatos ou outros espessantes. A empresa é uma das únicas no mundo que produz exclusivamente tinta a óleo e nenhum outro produto. Tem sido a opção de muitos pintores americanos famosos como David Kassan, assim como muitos profissionais ligados ao estudo de materiais artísticos, que tem apostado na Vasari como uma das melhores tintas disponíveis nos EUA. Algumas cores dessa linha não possuem pronta entrega, sendo necessário encomendar.
A textura e reologia do produto é surpreendente, exibindo excelente alastramento, cobertura e consistência soberba, uma das melhores cargas pigmentárias do mercado, qualidade máxima de pigmento, escorrimento e amarelamento mínimo. Infelizmente, a Vasari cometeu a pouco tempo atrás um deslize imperdoável, passou a omitir o indíce de cores de seus pigmentos. Se o fato persistir, a Vasari pode perder sua posição de TOP 2 muito rápido. É preciso mostrar ao artista qual é exatamente o pigmento usado na tinta. No caso da Vasari, a Cozinha confia em sua palavra quanto ao uso de pigmento de primeira assim como na quantidade usada, baseado em experiência prévia com algumas cores que mostravam seu índice de cor. Estamos torcendo para que isso mude, e para que os tubos voltem a mostrar o índice de cor em seu rótulo, assim como antes.
Um outro ponto negativo, é a falta de informações sobre a natureza dos veículos, embora nossos testes tenham mostrado que se trata provavelmente de óleo de linhaça, mas não há como detectar qual a natureza do mesmo (se é prensado a frio ou a calor ou se usam algum tipo de blend), sem um teste químico apurado. É uma informação que faz falta e deveria constar no rótulo dessa linha ou no site da empresa.
Uma paleta clássica muito completa, assim como outras cores modernas de alto chroma, enorme assorteamento de espetaculares variações cromáticas de cádmios e cores transparentes. 99 cores em seu catálogo.
TOP 1
Michael Harding
Para a Cozinha da Pintura, o atual top 1 é a inglesa Michael Harding. A empresa foi fundada pelo artista britânico em 1982. A idéia era recriar tintas que não somente tivessem as cores da paleta dos Velhos Mestres mas como sua reologia e torná-las disponíveis em escala comercial. Os artistas mais prestigiados na Inglaterra costumam fazer encomendas na Harding, entre eles, David Hockney, Chris Ofili, Howard Hodgkin e dizem os boatos, Lucian Freud. A comunicação com a empresa é fácil e a mesma oferece abundante informação para o cliente, tendo cooperado com a Cozinha há pelo menos um ano, fornecendo muita correspondência e atendimento cordial, assim como material de divulgação e informação em forma de tabelas de cores e textos explicativos muito detalhados.
A paleta de cores da Harding é bem “pé no chão”, oferecendo algumas alternativas cromáticas interessantes para os cádmios, terras e outras cores transparentes, permitindo um leque maior de possibilidades para quem gosta de cores clássicas. Destaque especial para as cores com precisão histórica, as quais Harding oferece algumas dezenas de cores.
Praticamente 80% da linha é mono-pigmentária, com quase todo o restante sendo uma mistura de dois pigmentos e raramente três. Quase toda a linha é feita com óleo de linhaça refinado prensado a frio enquanto outras levam blends. Uma linha verdadeiramente elegante e praticamente perfeita, conta com 75 cores em catálogo.
Conclusão
A análise de uma lista de tintas de primeira linha é difícil. Escolher entre a Harding e a Vasari para encontrar a TOP 1 foi algo que tomou pelo menos duas semanas, e exigiu muita discussão e especulação. Entendam que é possível que algumas cores dessas marcas muito populares, como Blockx, Mussini, etc… sejam superiores a algumas cores da Williamsburg e da Maimeri Puro.
E é exatamente por causa desse “somente” que as mesmas perdem pontos e caem na colocação. Segundo nossos testes mais recentes, algumas estão gradativamente perdendo espaço para as tintas que agora ocupam seus devidos lugares no TOP 5, por uma queda de qualidade que vai desde proporção de veículo/pigmento, carga pigmentária, qualidade de pigmento, entre outros.
Lembrem-se: se sua tinta favorita não está nessa lista, isso não quer dizer que ela não seja boa. A idéia dessa lista é mostrar o melhor do melhor, tintas exuberantes, que seguem um padrão de tinta artesanal, mas que em compensação estão numa faixa de preço muito elevada. Por exemplo, a Artist´s Oil da Winsor & Newton, que corresponde a uma tinta profissional de primeira linha, sendo uma excelente opção de tinta, mas no entanto, não se enquadra como uma tinta com moldes artesanais, e sim, um produto mais industrializado, feito para outras finalidades e para um perfil diferente de público. As tintas mostradas no TOP 5 são produtos voltados para um público extremamente exigente e de maior poder aquisitivo. O público da Artist´s Oil, ainda é um público profissional, exigente, mas que não pretende pagar altas somas por um tubo de tinta. Cada empresa direciona seu produto a um público, e isso não quer dizer que sua tinta não seja boa, muito pelo contrário.
Qualquer tinta que entre para o TOP 5 ou até mesmo o TOP 10 são exuberantes, produtos que superam a espectativa, mas que em compensação, custam muito mais. Imaginem então, tentar qualificar essas tintas especiais como “melhor” ou “pior”. Escolher “colocações” numa lista como essa pode parecer um despropósito. Vejam, não há o que discutir sobre a quantidade de pigmento ou qualidade dos mesmos sobre essas tintas, de modo que o que faz uma marca melhor ou pior para detereminado artista pode beirar a especulação de suas preferências de corpo e disponibilidade de cores em seu catálogo, quesitos que não são absolutamente fundamentais para fazer de uma tinta melhor ou pior.
A qualidade das três últimas tintas, por exemplo, é tão notável que uma comparação entre elas é claramente influenciada por conta de “preferências pessoais”. É importante que se tenha em mente que todas as tintas apresentadas aqui são sensacionais, e superam a expectativa de qualquer profissional, portanto, não há como errar na compra de qualquer uma dessas marcas, seja lá qual for sua posição em nosso TOP 5.
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BIBLIOGRAFIA
LAURIE; A.P.; The Painter´s Method´s and Materials; Dover; 1967.
MAYER; Ralph; Manual do Artista; Martins Fontes; 1950; 1957 e 1970.
DELAMARE; Guineau; Colors: The Story of Dyes and Pigments; Harry Abrams; 2000.
AMIEN; Art Materials Information and Education Center; 2012.
VÁRIOS; Material promocional pertinente a cada marca analisada no artigo.

