Os bálsamos são compostos da seiva vegetal extraída de árvores encontradas nas regiões temperadas. Por esse motivo, não são materiais largamente usados na pintura de países de clima quente, como o Brasil. O público brasileiro tem difícil acesso ao material, e nenhuma tradição em seu uso. Assim como outras resinas naturais usadas na pintura a óleo, quando usadas misturadas a tinta em camadas finas formam uma película relativamente elástica e brilhante, solidificando como uma lustrosa cobertura protetora com boas propriedades ópticas.
1. Resinas Duras Vs. Bálsamos
Ao contrário das outras resinas, os bálsamos possuem corpo naturalmente mais fluido, solidificando-se somente quando aplicados em finas camadas ou pouca quantidade. As resinas comuns são mais viscosas, geralmente solidificando em contato com o ar, mesmo em grande quantidade, adquirindo a forma de “pedra” (copais, ambâr, damar), também chamado de “lágrimas” no caso do mastíque. Dessa forma, não é possível encontrar os bálsamos em forma sólida, ao contrário das outras resinas. Quando encontramos resinas (que não são bálsamos) em forma líquida, temos na verdade um verniz, ou seja: uma resina em pedra que foi derretida com a adição de óleo ou solvente.
Os bálsamos quando em contato com o ar, mesmo em grande quantidade, são menos densos, possuíndo corpo semelhante a do mel e é possível encontrar variações ainda mais líquidas. Portanto, as resinas comuns são encontradas naturalmente num estado seco (sólido, pedras, lágrimas), enquanto os bálsamos são encontrados em forma líquida. Essa é a fundamental característica dos bálsamos: são resinas mais líquidas que solidificam de forma mais macia.
2. Funções para a Pintura a Óleo
Como os bálsamos são simplesmente resinas naturais mais líquidas, oferecem características muito similares as mesmas, assim como as mesmas funções. As resinas são perfeitas para conferir maior adesão ao filme de pintura, ajudando de forma adequada na fixação da cor em qualquer superfície. Isso pode ser extremamente útil para pintores que usam uma abordagem de pintura com inúmeras camadas. É comum que se obtenha certa dificuldade de fixação em camadas posteriores aplicadas a superfícies que já tenham recebido inúmeras pinceladas de tinta oleosa, depois que as mesmas estejam secas. Adicionando alguns pingos de bálsamo, a adesão é promovida, resolvendo o problema.
Assim como outras resinas, também oferecem brilho a película, de modo que pintores que desejarem uma superfície pictórica lustrosa podem fazer uso desse material. Quanto maior a quantidade de bálsamo, maior o brilho da camada resultante. Muitos pintores gostam da superfície lustrosa da película quando adicionada grande quantidade de resina.
Sua secagem rápida possibilita que a tinta belisque o pincel, deixando-o grudento, possibilitando para alguns pintores uma sensação que facilita a aplicação e formação de marcas na camada pictórica. Isso pode ser altamente desejável em alguns casos, enquanto para outros, pode configurar-se como indesejável. É sempre uma questão de experimentar e julgar se essa função pode trazer algum tipo de benefício ou efeito a seu processo.
3. Estudos de Campo
4. Velaturas no Molhado sobre Molhado
É possível usá-los misturados a tintas ou mediums para velaturas para se pintar molhado sobre molhado dando a impressão de pintura “molhado sobre seco” ou semi-seco. Uma espécie de “velatura” que ao invés de ser usada numa superfície seca, usa-se na pintura alla prima. O fenômeno ocorre pela secagem de material resinoso nas camadas de baixo, que “assentam” as primeiras camadas, sendo possível aplicação de tinta em cima da mesma sem maculá-las.
Veremos a seguir, os bálsamos usados na pintura a óleo.
5.1. Bálsamos
Compreendendo material não adulterado, praticamente puro, é consideravelmente mais caro do que a versão com adulterantes, triplicando o preço. Como compensação, o uso de pouca quantidade é praticamente o mesmo que usar grande quantidade de sua versão adulterada. Esse material é cada vez mais incomum nas prateleiras das lojas e poucas são as marcas que oferecem o mesmo no mercado. É particularmente comum encontrar o material em empresas que trabalham com materiais artesanais, como a Zecchi, em Firenze. O material industrial que parece mais próximo do artesanal é produzido pela Schmincke, mas ainda assim, apresenta diferença consideravel em termos de cor, corpo, aderência, secagem e elasticidade de película.
As amostras testadas pela Cozinha são: Zecchi e Schmincke.
Nenhuma empresa de materiais artísticos que produz materiais em escala industrial oferece o Bálsamo do Canadá em suas linhas de auxiliares. É um material de difícil aquisição e custo elevado, muito procurado pelos pintores norte americanos. A amostra testada pela Cozinha é de extração artesanal, sem marca.
Embora os relatos e textos antigos tratem-no como uma substância mais clara, é possível que haja uma confusão entre os nomes dados a todos os bálsamos assim como sobre sua procedência. Bálsamos de Lariço europeu podem ser comercializados como bálsamos do Abeto Prata gerando certa confusão. É comum, na história dos materiais de pintura, a venda de um material passando-se por outro similar, ou até mesmo observações de características de determinado produto baseado em características de um produto adulterado. Seja lá qual é o caso da Terebintina de Strasbourg, para entender por que os antigos manuais descrevem-na como mais clara, seria necessário um estudo de campo baseado em diferentes amostras, se possível, de material artesanal, e não industrial, algo que a Cozinha planeja já há algum tempo.
A amostra testada pela Cozinha da Pintura (comercializada pela Kremer) é uma das mais densas (com exceção da Trementina pura da Zecchi), e a cor é tão intensa quanto as outras Terebintinas de Veneza, sua cor é mais acentuada do que o Bálsamo do Canadá.
6. Conclusão
Algumas instituições recomendam a substituição dos bálsamos por resinas sintéticas alquídicas, que teoricamente seriam mais flexíveis do que sua versão natural e não oferecem amarelamento acentuado com os anos. Apesar da discussão ainda estar no campo da especulação, as chances de realmente ser verdade são grandes, no entanto, é interessante lembrar que o uso modesto de qualquer material pode resultar em boa longevidade das obras. Quantidades ínfimas de resina, bem misturadas a tinta, não serão suficientes para trazer algum tipo de transtorno a película.
BIBLIOGRAFIA
MAYER; Ralph; Manual do Artista; Martins Fontes; 1950; 1957 e 1970.
DOERNER; Max; The Materials of the Artist and Their Use in Painting; 1921.
EASTLAKE; Sir Charles Lock; Methods and Materials of Painting; Dover; 1847.
MERIMÉE; The Art of Painting in Oil and in Fresco; Whitaker & Co.; 1839.
LAURIE, A.P.; The Painter´s Method´s and Materials; Dover; 1967.
THOMPSON, Daniel V. The Materials and Techniques of Medieval Painting; Dover; New York.
MERRIFIELD, Mary P.; Original Treatises On the Arts of Painting; John Murray; London; 1849.
AMIEN; Art Materials Information and Education Center; 2012.
DE MAYERNE; De Mayerne Manuscript, B.M. Sloane; 1620.

