Não há regra para a quantidade de cores usadas. É comum encontrar artistas que usam uma infinidade de tintas próximo a seus cavaletes, paletas com 40 e 50 cores, assim como paletas de 30, 20, 12, 7 e 4 cores. A quantidade de cores usadas não é importante, mas sim sua habilidade de entendê-las e conseguir misturá-las para alcançar a cor pretendida. Um erro comum a muitos iniciantes é a vontade incontrolável de adquirir muitas cores diferentes, o uso de um número exagerado, tornando-se frustrante o julgamento de tantas misturas e combinações, também tornando difícil memorizar as combinações que um dia foram empregadas com sucesso. As recomendações mais razoáveis sugerem que se use entre 12 e 7 cores.
2. Opções de Cores
Os métodos de escolha são os mais variados. O artista que, por exemplo, almeja atingir cores fortes e vibrantes certamente escolherá várias cores de cádmio, devido a suas cores gritantes, enquanto aqueles que preferem certa “quietude” cromática deverão optar pelos tons terrosos. Nada impede que o artista opte por fazer suas escolhas baseadas em emoções que certas cores podem despertar ou até pela simbologia das cores. Tudo é pessoal e depende do que se quer alcançar, sempre obedecendo ao bom senso, pois aqueles que pretendem alcançar um nível de realismo mimético devem estar menos presos a essas liberdades poéticas e mais atentos a certas regras.
Mais tarde tornou-se comum, principalmente pelo uso na área gráfica, a adoção de uma nova paleta de cores primárias, que compreende as cores: cyan, magenta e amarelo. As mesmas regras das primárias amarelo, vermelho e azul, também se aplicam para essas, quando se pretende escolher suas correspondentes na tinta óleo: preste atenção em como elas se comportam quando misturadas e em suas transparências ou opacidades. As cores que mais se aproximam, no Brasil, também possuem algumas limitações, devido a indisponibilidade de pigmentos opacos que cheguem próximos as primárias cyan e magenta, de modo que temos disponíveis uma cor opaca (Amarelo Cádmio) e duas cores transparentes (Azul Ftalocianina e Magenta). É possível fazer uso dessas cores adicionado um pouco de Branco de Titâneo nas cores transparentes para compensar sua falta de opacidade.
Há a opção, no entanto com limitação, do uso do Azul Cerúleo e da Laca Rosa como primárias (Cyan e Magenta) opacas. A discussão sobre qual sistema de primárias é o mais indicado para ser usado é longa e deveras complexa. Me limito a concluir que cada artista, novamente, possui suas razões pessoais e racionais para usá-las.
5. Paleta de Cores Clássicas
Nos primórdios do ofício da pintura, não era costume empregar primárias como cores “chefes” que poderiam deixar as rotinas de mistura mais práticas. Em primeiro lugar, as cores vivas e gritantes das primárias, usadas de forma abudante, não figuravam como adequadas para o padrão estético das pinturas, e de fato, não é o que ocorre na natureza.
Em segundo lugar, na antiguidade não haviam pigmentos opacos que pudessem chegar próximo da pureza e força das cores primárias. Entre outros motivos, alguns pigmentos transparentes podem chegar muito próximo as cores primárias quando aplicados sobre um fundo muito claro, como o branco. Eles formam um efeito ótico que chega satisfatoriamente próximo.
Sobretudo, existem algumas cores que são mais usadas na pintura por alcançarem mais rapidamente (sem necessidade de muitas misturas) certos elementos naturais que são recorrentes, como a pele, madeira, folhagens, a cor do céu, o acinzentado das nuvens e outras. Por esse motivo, o emprego de algumas cores muito específicas eram uma constante na paleta de diversos artistas. Os artistas passavam toda sua experiência com cores particulares a pupilos, e ao longo dos anos, certas cores provaram ser polivalentes e práticas dentro da pintura a óleo. Essas cores, “clássicas” pelo seu uso, são comumente produzidas pela grande maioria de marcas de tintas e comumente adotadas pela maior parte dos artistas. Nomes como “Terra de Siena Queimada”, são cores mais familiares a pintores do que a qualquer outro tipo de profissão ou atividade.
A vantagem dessas cores, é justamente a familiaridade que outros artistas possuem com elas e pelas suas combinações. São as cores mais usadas em grandes ateliês, ateliês amadores, universidades, cursos particulares e livros sobre o assunto. O método de pintura usado a partir dessas cores remonta há séculos, tendo então colocado essas cores a prova, desde antes da renascença, passando pelo impressionismo (onde novas cores foram incluídas), pelo modernismo (substituição de cores impermanentes por permanentes assim como cores mais vibrantes começaram a estar disponíveis) e até a contemporaneidade.
O número de cores disponíveis que podem entrar nessa classificação é enorme e fazer uma sugestão de paleta é algo muito subjetivo. No entanto, arrisco a apresentar abaixo algumas cores que compreendo como amplamente usadas. Esse exemplo pode ser uma sugestão de paleta (experimental), mas é importante que o artista teste as cores e misturas, e num futuro, esse número seja diminuído para 12 a 7 cores.
7. Paletas com Cores Quentes e Frias
A organização de uma paleta assim, é algo subjetivo e pessoal, mas totalmente possível e praticável, oferecendo resultados que se fazem notar. Essa paleta poderia teoricamente ser subjetiva, em termos de contrastes de temperatura, mas mesmo que para algumas opiniões isso não exista, ela acaba funcionando pela variedade de tons similares que apresenta (vermelhos, azuis e amarelos distintos), para aqueles que sabem controlá-la.
A paleta limitada é a última opção que iremos analisar, no entanto, não é a última opção existente, quando tratamos desse assunto, as variações são praticamente inesgotáveis. A idéia desse artigo é fazer uma breve explicação das paletas mais comuns encontradas. No caso da paleta limitada, a idéia é limitar ao máximo as opções de cores, e trabalhar somente com pouquíssimas cores. Geralmente, 3 cores, mais o branco, e alguns artistas também incluem o preto. Podemos dizer que a paleta com somente cores primárias (mais branco e preto) é uma paleta limitada.
A escolha de qualquer amarelo, qualquer vermelho e qualquer azul, sendo eles terrosos ou com pigmentos intensos pode ser usado como uma paleta limitada. Alguns artistas usam paletas limitadas como formas de exercício de mistura de cores. Existe a lenda de que Tizziano teria dito que “um pintor só necessita usar três cores: preto, branco e vermelho”. É provavel que ele não esteja diretamente dizendo que somente essas cores devam ser usadas, mas que as paletas limitadas podem ser grandes aliadas dos artistas. É possível alcançar excelentes resultados trabalando somente com poucas cores, e contrastando os valores de cada uma dessas cores.
9. Experiências
Um exercício interessante é pesquisar em livros confiáveis as paletas de seus artistas preferidos e tentar testá-las em pequenos exercícios. É surpreendente o que se aprende através das paletas de muitos artistas.
Num post futuro, pretendo explorar mais o tema das paletas, analisando artistas específicos e como eles usavam essas paletas de forma a construir suas obras.
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BIBLIOGRAFIA RESUMIDA
PEDROSA, Israel. O Universo da Cor. 1º. ed. Rio de Janeiro: Editora Senac Nacional, 2004.
ITTEN, Johannes. The Art of Color. New York, EUA: John Wiley & Sons, Inc, 1976.





Oi Márcio!No começo da leitura deste post não ude conter o riso quando me identifiquei com o iniciante que compra milhares de cores que não vai usar! rsrsrsrs e tb já me aconteceu de esquecer a combinação de cores que resultou numa determinada cor que precisava reproduzir!Nunca havia lido ou ouvido a respeito dessas paletas de cores da forma como vc abordou. Até hoje a escolha das cores nos meus exercícios, inclusive com o pastel seco, sempre foi puramente intuitiva e, por isso mesmo, tão sofrida. De fato, com o avançar dos exercício, percebo claramente que algumas tintas tornam-se \”favoritas\” e outras continuam intactas nos tubos. No meu caso, sendo a figura humana meu interesse quase que exclusivo, faço uso recorrente de determinadas misturas, que agora vou analisar sob a ótica das paletas, colocando um pouco mais de sistematização nesse meu aprendizado!Em resumo, seu post é sensaional!Abs.Luciana
Olá Luciana! Existem muitas \”escolas\” diferentes quanto ao uso de inúmeras variantes de paletas. É um assunto complexo e polêmico entre os pintores. Existem muitos livros sugerindo uma infinidade de variações. É questão de testar as combinações e ir mudando suas cores até chegar numa paleta que \”sirva\” a voce! Abraço!
Embora já tenha lido tudo desse excelente blog, nem sempre tenho tempo para deixar um comentário. Vamos lá.Qual seria uma paleta interessante para velaturas? (No caso, uma paleta só com cores transparentes?)Seria nessa circunstância, uma paleta que eu já use, mas em uma versão com tintas transparentes em cores similares?Abraço.
Leandro, elas não precisam ser necessariamente transparentes, podem ser semi-transparentes. As tintas mais opacas costumam bloquear demais as áreas veladas. Grande abraço!
Gostei das dicas, estou comesando, e estou aberto a todas as dicas, para que eu consiga expresasr minhas obras. Obrigado.
Ainda nem comecei a estudar pintura e já comprei um grande número de tintas sem saber se eram transparentes , opacas o semi opacas. Cores diferentes sem me importar que poderia ter uma paleta pequena e misturar as cores. Gostaria muito de estudar com vocês mas a distancia me impede. Obrigada pelas dicas.
Normalmente uso o Vermelho da China, Amarelo Indiano, Azul Ftalocianina e gosto de usar dois brancos, o branco de titânio e o branco de zinco pois cada branco tem um resultado diferente nas misturas. Com esses pigmentos faço o preto(ou algo próximo) com a mistura do Vermelho, Amarelo e Azul.Não sei se é uma boa escolha, mas tenho conseguido trabalhar bem com elas, a ideia é reduzir a paleta, economizar os custos e conhecer bem as cores que utilizo. Mas logicamente, as vezes há limitações dependendo do trabalho.
Caro Douglas, essa configuração é com certeza funcional, baseado num sistema de primárias mais transparentes. Abraço!