Painéis para Pintura

Apesar do tecido esticado sobre chassi ser o suporte mais popular na pintura contemporânea, os painéis são uma opção mais segura para a conservação de trabalhos artísticos, a longo prazo. Com sua superfície rija, é menos frágil e se movimenta menos do que o tecido esticado sobre chassi (tela), tornando a superfície da pintura menos suscetível a rachaduras e craqueluras. Os mestres flamengos e italianos costumeiramente usavam desses painéis como forma de garantir que a pintura permanecesse intacta por séculos. Para pinturas grossas que usam de uma técnica de impasto, como a pintura a óleo e a encáustica, assim como para todas as tintas que secam formando uma película pouco elástica como a têmpera, é sempre arriscado apostar nas telas, sendo o painel o suporte ideal. 

Em primeiro lugar, é preciso que o artista entenda que não é adequado pintar sobre qualquer madeira crua, sem uma preparação prévia. Existem uma série de cuidados necessários, como por exemplo, os diferentes ingredientes para a base que cobrirá o suporte, portanto, é importante que o artista saiba como construí-los corretamente.

Construir painéis duradouros não é exatamente fácil, portanto, é necessário paciência. Além disso, é dispendioso. É certamente mais caro e demorado do que simplemente esticar uma tela em chassis, ou do que comprar uma tela já pronta, portanto, não é a toa que a maioria dos artistas optam por essa última opção. O pintor deve avaliar suas prioridades: para estudos rápidos e exercícios, a tela pronta é uma escolha lógica e prática, mas para trabalhos e encomendas importantes, é interessante que se considere o uso de materiais mais permanentes e robustos, como os painéis. Não é somente uma forma correta e muito ética de comercializar um produto artístico, mas é também uma forma de conservar o legado do artista. As obras que mais perduraram ao tempo foram feitas em painéis, e não em telas. 

Trataremos a seguir de algumas formas de preparar painéis rígidos tradicionais para pintura. O procedimento que usaremos é voltado para a construção de painéis de com no máximo 90 cm x 90 cm. Quando as dimensões começam a ficar maiores do que isso, outros fatores entram em jogo, é então necessário um procedimento diferente, que veremos num futuro post.

Madeira
As madeiras nobres seriam as ideais para preparar o suporte, no entanto, hoje elas são raras, opções pouco ecológicas e incrivelmente caras. Sendo realista, a maioria dos artistas hoje trabalham não com madeira real, mas com chapas de compensado. Escolha um compensado com espessuras entre 3 ou 5 mm. Quanto mais grossa é a placa, mais confiável é a permanência do suporte pois envergam com maior dificuldade, por outro lado, placas muito grossas deixam o suporte muito mais pesado, sobretudo quando a pintura é maior do que 50 cm, sendo um problema para pendurar em qualquer lugar, precisando grandes parafusos com buchas além de dificultar o transporte. No caso de um painel grande, opte por um compensado não muito grosso mas é necessário adicionar ripas de apoio no verso do compensado, como se fosse um chassis, para garantir que não envergue.

Compensado


Tenha certeza de que a placa de compensado não foi cortada torta e que não possua ondulações, caso note esses defeitos, descarte a placa e corte uma nova. Compre um chassi comum, o mesmo usado em telas artesanais, do mesmo tamanho da placa de compensado para que o mesmo sirva de reforço no verso da placa. Um dos tipos de madeira mais usados para a fatura de chassi, superior ao famoso “cedrinho”, é a “caixeta”. 

Cola Animal
Isso é um assunto tão complexo que farei um post exclusivo muito em breve. Há disponível uma série de colas que podem ser usadas para fixar o chassi a placa. A cola de pele de coelho, feita de colágeno animal foi exaustivamente usada ao decorrer da história da arte. Apesar da discussão sobre sua comparação com diversas outras colas, continua sendo uma das mais usadas para esse fim, em inúmeros ateliês europeus e americanos. Existem aqueles que tem a opinião de que seu uso é puro saudosismo, sendo que hoje, há a cola PVA, mas um fato é irrefutável: é um material traidicional que possui sua eficácia comprovada pelo tempo, a cola usada em todos os quadros da antiguidade que perduram nos museus europeus.

No Brasil, é difícil encontrar a cola de pele de coelho, e mesmo nos lugares que costumam vendê-la, é comum que suma das prateleiras e demore a aparecer novamente. Como substituto, há a “cola coqueiro”, que leva o nome por causa do primeiro fabricante brasileiro, mas que na verdade também é uma cola com base em colágeno animal, apesar de não ser de coelho, que é a mais elástica. Assim como a cola de pele de coelho, ambas são comercializadas em três formas: trituradas em forma de pó ou pequenos pedaços (a forma mais comum, que se assemelha a ração animal), em finas folhas quase transparentes (formato mais raro) e em grossas placas sólidas (esse era o formato mais comum no começo do século).

Cola de Coelho e Coqueiro

Tradicionalmente, na antiguidade outras colas de proteína eram usadas, como a cola de peixe, mas essas não são mais comercializadas hoje. Há ainda a possibilidade do uso da gelatina que se encontra nos super-mercados, de preferência em folhas, sempre incolor, no entanto, possuem baixa concentração de colágeno, e é necessário muitas folhas para obter uma cola robusta, portanto, é uma opção mais cara e mais trabalhosa. A preparação dessas colas exigem cuidados que serão detalhados num próximo post.

Cola PVA
Uma outra opção menos tradicional, embora mais prática e vegana, além da cola de proteína é a cola branca também chamada de cola PVA, ou cola cascorez, que alguns acreditam ser superior as colas animais por absorver menos humidade, mas nenhum estudo expressivo foi publicado provando essas especulações. Prefira aquelas que possuem PH neutro. Quaisquer uma dessas opções (animal ou sintética) mencionadas acima são válidas para construir painéis.

Fixação por colagem
Um dos versos da placa de compensado, assim como do chassi (o lado reto), recebe uma mão de cola, e os dois devem permanecer em contato durante pelo menos 24 horas, através de pesos ou do uso de uma ferramenta chamada sargento, facilmente encontrado em casas de materiais de construção. Seria necessário um sargento para cada quina e mais quatro para cada lado da placa, totalizando 8 ferramentas de fixação.

Sargento

Fixação com pregos
Após pelo menos 24 horas, tendo certeza de que a placa aderiu totalmente ao chassi, pregue o chassi com pregos pequenos e finos, tomando cuidado para não criar muito impacto diretamente na madeira. Os pregos ideais para esse procedimento são banhados em cobre, pois não enferrujam, e podem ser encontrados em três casas especializadas em São Paulo. Pregue nas quatro quinas do suporte e ao centro de cada um dos quatro lados. Use uma toalha ou tecido em cima dos pregos para não martelar a superfície da placa e danificá-la e amortecer o impacto direto do martelo. O painel deve receber algumas mãos de cola para isolá-lo.

Tecido (Opcional)
A aplicação de um tecido ao suporte é opcional. É uma aplicação delicada e exige extremo cuidado, tradicionalmente usado no período do renascimento e flamengo, a preparação com tecido é complicada. A cola deve ser preparada de modo que não seja muito forte nem muito fraca, caso contrário, a colagem do tecido pode rachar a base. Se voce não tem experiência com a fatura de painéis ou com materiais de pintura em geral, recomendamos que não tente a encolagem do tecido, pois ele costuma apresentar deficiências quando aplicado de modo inadequado. De qualquer forma, é um item opcional. Os painéis feitos sem tecido funcionam perfeitamente.

O tecido garante que a longo prazo, se a madeira expandir ou contrair, a película formada pela pintura permaneça intacta pela mobilidade das cerdas do tecido, por isso é desejável que o tecido seja parte do painel. Corte um pedaço de tecido com alguns centímetros (2 ou 3 cm) a mais do que o tamanho de seu suporte. Use linho crú, lonita, hemp ou algodão. Aplique uma mão de cola animal ou PVA no suporte e coloque o tecido em cima, apertando com a ponta dos dedos em movimentos que vão do centro para fora do suporte, até que ele fique bem grudado. A quantidade de cola deve ser generosa o suficiente para garantir uma perfeita adesão e sem nenhuma bolha.

Linho colado

O uso de calor
Deixe que o tecido seque ao natural, e nunca use secadores ou qualquer outro tipo de procedimento a calor para acelerar a secagem. Nunca use calor para acelerar a secagem. No caso da base em gesso (que veremos a frente), o calor pode provocar rachaduras e arruinar o suporte. Aguarde pelo menos 24 horas para continuar o procedimento.

Rachaduras (calor)

Encolagem: demão isolante
Após a secagem completa, é necessário aplicar uma demão uniforme de cola animal (ou PVA) em toda a face do painel que receberá a posteriormente a base de pintura com gesso. Essa demão de cola é chamada encolagem e garante que a tinta não passe do gesso para o tecido, com o risco de apodrecê-lo. Após a última demão de cola, está na hora de cortar o tecido excedente, bem próximo a placa. Use uma régua confiável e um estilete robusto com uma lâmina nova. Procure cortar o pano excedente da forma mais reta possível.

Base final ou cobertura
Existem dois tipos de “bases” que servem para “preencher” os sulcos e buracos da malha do tecido, deixando o painel perfeitamente liso. Uma observação importante é que ambas as “bases” possuem comportamentos muito diferentes. Discutiremos suas diferenças e utilidades em outro post.

Uma dessas bases, usada desde antes da idade média, é uma mistura de 1 parte de cola animal, 1 parte alvaiade, carbonato de cálcio ou de gesso crê. É muito importante que o artista consiga medir a quantidade de forma exata, ou pelo menos muito aproximada, por isso, use um copo com medidas. Com uma parte de cola reservada, misture lentamente o alvaiade (ou uma das outras opções), sempre movimentando com uma colher para que fique bem homogêneo e nenhum “nódulo” seco fique encapsulado. É necessário filtrar a mistura e reservá-la numa garrafa limpa, usando um coador que não seja muito fino, pois a mistura é consideravelmente grossa. Essa mistura permanece usável por cerca de 10 ou 15 horas, dependendo da temperatura ambiente, após isso, começa a secar e se torna difícil de aplicar. Dependendo da quantidade de base aplicada, teremos um tempo de secagem entre 5 e 24 horas para que fique completamente seca.

Uma segunda base, mais moderna, é de fatura muito mais simples: aplique o material chamado de gesso acrílico ou “base acrílica”, facilmente encontrado em lojas de materiais artísticos. Nesse caso, a secagem pode levar dentre 30 minutos a três ou quatro horas dependendo da quantidade de gesso usado e da temperatura ambiente. Em dias de frio a secagem é afetada grandemente.

Finalizando o painel
Após a primeira demão da base, feita com cola animal, é necessário lixar atentamente a superfície. Use lixa para parede número 220, pois a mesma tem a função de desbaste. Em alguns pontos é possível que a lixa “coma” através da base e alguns pontos das fibras do tecido venham a tona, é necessário cuidado para não desbastar o tecido. Examine a tela de lado, com suficiente luz em sua superfície para entender em quais pontos é necessário maior desbaste. Repita a aplicação de base, espere secar e lixe novamente com a lixa 220. Repita a aplicação de base, espere novamente secar e lixe a terceira e última camada com lixa d´água 360, com função de acabamento. A superfície do suporte deve ficar semelhante a da superfície de um ovo, levemente porosa, mas perfeitamente lisa.

Os painéis feitos com gesso acrílico não precisam ser lixados, pois ele dificilmente deixa marcas, sobretudo quando se adiciona um pouco de água. Se for necessário lixar alguma imperfeição depois de seco, note que o gesso acrílico é de difícil lixamente devido a sua natureza “emborrachada”. Um truque para contornar o problema é borrifar agua na superfície e lixar ainda molhado.

Essa é uma forma de se construir painéis tradicionais para pintura. Se voce deseja construir um painel mais simples que não seja necessariamente baseado em alguns passos fundamentalmente tradicionais, num artigo futuro, mostraremos como preparar um suporte mais simples, através de aplicações de materiais comuns que melhoram a qualidade das telas comuns compradas em lojas.

Se você quer entender ainda mais sobre as técnicas tradicionais de pintura e as propriedades dos materiais históricos de pintura, clique e veja nosso curso de Pintura Clássica: PRESENCIAL ou ONLINE

BIBLIOGRAFIA RESUMIDA
GOTTSENGEN, Mark David; Painters Handbook; Watson-Guptill; 2006.
AMIEN; Art Materials Information and Education Center; 2013.
MAYER; Ralph; Manual do Artista; Martins Fontes; 1950; 1957 e 1970.
MOTTA, Edson; SALGADO, Maria; Iniciação a Pintura; Editora Nova Fronteira; 1976.

61 Comments

  1. Muito bom o post, Márcio. Estou preparando uns painéis aqui de acordo com a sua descrição como experiência enquanto eu procuro um fornecedor de dibond/alucobond ou de chapas de cobre para fazer uns testes.Adriano

  2. Obrigado! As chapas de cobre ficaram fora desse post pois achei um material extremamente caro. Comprei uma única vez pra fazer gravura em metal e fiquei assustado com o preço. Mas sem dúvida, compreende um excelente suporte. Gostaria muito de saber sobre seus testes. Ainda há OUTRA opção, as chapas de alumínio. São mais baratas e mais leves. Tenho algum material bibliográfico sobre isso, vou pesquisar e te mando um retorno! Não tenho absoluta certeza sobre suas vantagens de conservação sobre o cobre.Obrigado pelo comentário Adriano! Abraço!

  3. Márcio, as chapas de alumínio composto são aprovadas por várias museus e conservadores. Aparentemente, são a melhor opção hoje em dia segundo a minha curta pesquisa. Ainda não achei um fornecedor para testar, mas vou procurar com cuidado nos próximos dias e te mantenho informado.Outra opção que se vê muito nos EUA é o Gatorfoam, mas aqui no Brasil parece que não se encontra o mesmo tipo que é usado como suporte lá (com chapas de madeira). Aqui só se encontra com papel cartão e com o nome de foam core ou papel pluma/papel espuma. A espessura máxima que eu vi na internet é de 4mm e não sei quanto à composição e durabilidade do poliestireno do mateerial fabricado aqui.Adriano

  4. Já ouvi opiniões diversas quanto ao alumínio. Seria realmente necessário uma pesquisa mais incisiva, mas não acho que já existam pesquisas esclarecedoras sobre o assunto. Um bom fornecedor aqui de SP para alumínio é a Casa da Bóia, inclusive, de cobre e outros derivados de metais em chapas. Eles cortam nas dimensões que voce pedir.O \”Foam Core\” ou \”Papel Espuma\” são outros nomes para o que os americanos chamam de \”Foam Board\”. As versões que encontrei aqui são da marca Metier, e além de MUITO caros, me parecem muito frágeis quando comparados aos suportes de madeira (painéis). Talvez para estudos rápidos sejam uma boa opção…Abraço!

  5. Ola pode me indicar onde eu encontro para comprar cola de pele de coelho em Sao Paulo, ou algum lugar que possa me enviar ?grato

  6. Olá Luciano! A Casa do Artista trabalha com dois tipos de cola animal: a de coelho e a \”coqueiro\”. Ambas são bem fortes, no entanto a de coelho é um pouco mais pura e resulta numa cola um pouco mais limpa, no entanto, é consideravelmente mais cara do que a coqueiro. Qualquer uma servirá para seu painel. Eles enviam via correio. Abraço!

  7. Oi, Marcio. Eu não sabia que existiam dois tipos de MDF (placas e aglomerado). Você poderia falar um pouco mais sobre isso, ou me informar onde posso adquirir o MDF de placas?Obrigado e um abraço…

  8. Olá Jair! Não é difícil encontrar. Costumo comprar os meus na C&C (Casa & construção) ou no Peg & Faça. A marcenaria do Peg & Faça do Lar Center é muito boa e oferece os dois tipos, cortam pra voce na hora, na medida que quiser. Abraço!

  9. Oi, Marcio. Fui até a C&C e me disseram que não tem mais o serviço de corte de madeiras. Fui até a Leroy Merlin, onde sei que tem este serviços mas disseram que existe somente um tipo de MDF. Liguei, então, para o Peg&Faça do Lar Center e o atendente me confirmou a informação da Leroy, que desconhece o MDF em placas. Ele me perguntou se eu não estava confundindo com chapas de compensado, e tal… Bem, fiquei \”boiando\”. Será que esqueci algum detalhe da informação que você me passou? Help!Abraços

  10. Olá Jair. Talvez o atendente do Peg&Faça tenha me informado errôneamente o nome da placa em questão. Talvez realmente ela não seja um MDF e sim uma placa de compensado. De qualquer forma, voce pode ver uma imagem do tipo de placa em questão aqui no nesse post. Ela é feita como um \”sanduíche\” de lâminas de madeira de cor clara, com um enchimento do que parece ser um aglomerado.Ainda não tive oportunidade de estudar mais profundamente essas \”placas\” modernas de madeira, e possuo algum conhecimento mais genérico sobre esse assunto. Tenho maior informação sobre as madeiras \”de verdade\”, que se tornam cada vez mais raras (e caras). Me parece razoável abrir os olhos e começar a dar maior importância a esse tipo de material, sendo que hoje, torna-se uma das poucas opções a serem usadas por inúmeros motivos. Mas de qualquer forma, me desculpo pela confusão. Realmente confiei na palavra do atendente, mas ao que tudo indica, ele se confundiu e categorizou a chapa de compensado como um tipo de MDF.Seria interessante se algum marceneiro experiente pudesse nos dar uma consultoria para podermos passar isso a limpo e corrigir as informações desse post. Novamente, peço desculpas. Mas independente do nome dado a esse tipo de placa, sugiro que imprima a foto em questão e leve até a loja. Provavelmente eles poderão reconhecer a placa e fornecer o mesmo material a voce. Um abraço!

  11. Oi, Márcio. Não se desculpe, por favor. Vou sair à caça de informações sobre essa placa do foto. Qualquer outro dado que eu conseguir a respeito desta ou outra espécie de madeira eu passo à você, OK?Um abraço.

  12. Perfeito Jair! Agradeço! Se conseguir uma confirmação do REAL nome do material usado no mercado, arrumo aqui no post para que isso não confunda outros leitores! Um abraço!

  13. Marcio, vc diz pra aplicar a cola animal ainda morna no momento da encolagem… mas e na hora de mistura-la com o alvaiade e o gesso cre para a base tradicional… ela deve estar morna tbm ou é indiferente?

  14. Aplicar morno ajuda em duas coisas: a cola quando quente fica mais líquida, e o calor ajuda a amolecer a superfície do tecido, ambos melhoram o depósito da cola nos poros do tecido. Só cuidado para não usar o cola morna se o seu painel for uma chapa de MDF sem chassis por trás… do tipo que vemos a venda em lojas de materiais artísticos… o calor da aplicação da cola pode distorcer a madeira. O ideal é que ela esteja morna, e NUNCA quente. Morna para temperatura ambiente é o ideal. No caso de painéis grossos com chassis (o ideal) pode se aplicá-la mais quente sem problema. Para fazer a base, ou aplicá-la, não precisa estar morna ou aquecida, embora a temperatura ajude a deixá-la mais líquida. Abraço!

  15. Óla Márcio, gostaria de saber como faço para preparar a madeira que vou pintar a óleo… sendo q diretamente na madeira … sem usar o tecido de linho… desde de já agradeço…

  16. Olá Rafael! Costumo aconselhar que se use o tecido em cima da madeira, mas se deseja fazer o painel sem tecido, voce pode fazer a encolagem direto na madeira e passar a base de cola animal + gesso crê após ter secado completamente a encolagem. É sempre bom usar pincéis de pêlos macios e lixar a superfície. No entanto, não lixe a superfície excessivamente, a superfície deve ter uma textura parecida com a da casca de ovo: sificientemente lisa, mas com \”poros\” que permitam que a tinta tenha onde se alojar. Um abraço!

  17. Óla Márcio. gostaria de saber qual tipo de madeira vc me aconselha a usar…pois faço retratos a óleo sob encomenda estilo realista e gostaria de dar mais profissionalismo em minha pinturas…, e se eu optar usar o linho colado na madeira qual seria melhor… em termos de qualidade e tempo de duração da pintura ,óleo sobre madeira ou no linho colado na madeira?… E obrigado por dar essa oportunidade de ensino a todos… acho seu blog muito bom e profissional, esta de parabéns…e bate bastante o q é dito nele com meus aprendizados q meu ex professor de arte ja falecido me passou sobre pintura italiana…Deixo aqui meu blog para vc dar uma olhada em meus trabalhos:www.rafaelmussel.blogspot.com

  18. Rafael, obrigado novamente por seus elogios. Quanto a madeira, todas as madeiras nobres são ideais, mas é claro, essas são extremamente caras. O pinus é uma madeira muito mole, mas é boa de usar. Mas se quiser usar uma madeira melhor que o pinus, e um pouco mais cara, tente achar a \”caixeta\” ou \”caxeta\”. Muita gente tem usado essa para fazer painéis e chassis com boa qualidade e bom custo benefício. Leia aqui no Cozinha o post sobre tecidos. O linho tem uma fama de ser superior, mas estudos recentes mostram que a longo prazo, o linho envelheçe e deterioriza de modo muito similiar ao algodão, portanto, não vejo muita vantagem, além de seu preço caríssimo. Além disso, o linho é duro de se esticar. Compre um algodão puro, de qualidade, com trama bem fechada, é sensacional para o uso. Espero ter ajudado. Darei uma olhada nos seus trabalhos! Um abraço!

  19. Óla Márcio, obrigado por me responder…gostaria de saber se usando o método do linho colado sobre madeira conforme sua postagem… quanto tempo pode-se dizer que o trabalho durara? e é mais confiavel que na madeira direto? Gostaria que desse uma olhada nos meus trabalhos… trabalho com realismo…,e tenho um blog e gostaria de expor no meu blog seus links com postagem…pois adoro o trabalho que você faz aqui! e esta ajudando muita gente…sempre estou lendo seus posts…Parabéns pelo seu trabalho… Obrigado!

  20. Olá Rafael! O prazer é meu, fico contente em ajudar. Quanto a conservação do painel, existem muitos fatores que podem influênciar nessa equação. Temos painéis medievais, feitos da praticamente da mesma maneira (talvez a única grande diferença seja a madeira, que não é compensado, mas madeira nobre sólida) que chegaram aos dias de hoje completamente intactos, e outros racharam ou envergaram. O principal, o mais importante de tudo, é a \”história\” da obra: ou seja, como ela foi conservada através dos anos. Se ela ficar exposta durante alguns meses a um lugar húmido por exemplo, é o bastante para fazer estrago, ou se tomar sol direto por muito tempo, etc. Se o painel é guardado em lugar seco, longe do sol direto, se não sofrer nenhum tipo de queda, etc, irá durar muito mais do que uma tela. A qualidade da cola, do tecido e da madeira também influem, assim como o modo como cada coisa foi aplicada. Mais cedo ou mais tarde, toda obra necessita de algum tipo de restauração.Portanto, é complicado dizer. Mas se tudo \”conspirar\” a favor, diria que um painel bem feito, com bons materiais, aplicados de forma correta e conservado com muito cuidado, pode durar no mínimo uns 100 anos. Um abraço!

  21. Sim, é mais confiável que se use o tecido encolado sobre a madeira. O tecido faz o papel de um \”segundo suporte\”. Caso o painel apodreça, rache ou enverge, há como salvar a pintura removendo o tecido e aplicando-o novamente a uma nova madeira.

  22. Óla Márcio… obrigado novamente por ser tão atencioso…Lendo seus artigos estou aprendendo muito …e espero que este vídeo lhe ajude em algum poster futuramente, falando sobre pintura a óleo direto na madeira e ensinando como preparar…achei este vídeo hoje!\”Jan van Eyck (Maaseik?, c. 1390 — Bruges, 1441) foi um pintor flamengo\” http://www.youtube.com/watch?v=uZMrjVzbB-IE vc ficou me devendo a resposta sobre colocar seus links no meu blog para divulgar a sua Cozinha da Pintura! Aguardo resposta…estou enviando meu msn e meu Facebook para eventuias conversas se possível…Meu msn: rafaelmussel.rj@hotmail.comFace: http://www.facebook.com/profile.php?id=1078093973

  23. Rafael, no vídeo, uma serie de detalhes são omitidos quanto aos procedimentos de fatura de paineis. Se voce quer fazer algo com precisão histórica, tudo \”exatamente\” igual, posso enviar algumas sugestões de livros, infelizmente, a maioria deles é em lingua estrangeira ou são difíceis de se encontrar.Se voce não necessariamente almeja um painel historicamente \”correto\”, o procedimento descrito no artigo do Cozinha é suficiente para a fatura de um painel durável. No entanto, peço que tenha cuidado com as fontes que encontramos por aí. Esse documentário por exemplo, como tantos outros, pode ser muito rico em análises conceituais e formais de uma obra, mas em termos técnicos deixa a desejar, portanto, cuidado. Nesse exemplo, a narração simplesmente PRESUME que não houve encolagem, e na verdade há encolagem prévia ANTES da demão do gesso, um procedimento muito básico. Também não cita os diferentes tipos de gesso usados nesses paineis, o gesso sottile e o gesso grosso, não cita a cola de queijo para a junção da madeira, etc, etc, etc. Bem, existem outros detalhes, mas voce entendeu onde quero chegar, não? Se realmente quiser estudar em profundidade os materiais da antiguidade, as fontes REALMENTE seguras devem ser consultadas. Elas são invariavelmente, artigos científicos do ramo da conservação e restauração.Fique a vontade para colocar links do Cozinha no seu site. Vou adicioná-lo no FB. Um abraço!

  24. Oi Marcio. Tenho um livro sobre o pintor Giovanni Baptista Castagneto e durante um tempo tomei contato com suas obras um pouco mais de perto e ele pintava em tampas de caixa de charutos. Para ele eram os suportes ideais por serem feitos de madeira tratada devido a conservação dos charutos. Tive oportunidade uma vez de pintar sobre essas tabuinhas e realmente são maravilhosas. Pelo que li e vi ele pintava diretamente sobre a madeira deixando muitas áreas de respiro da própria madeira. Você poderia falar um pouco sobre? Já que esse tipo de suporte não tinha uma preparação prévia. Um forte abraço e parabéns SEMPRE por seu blog e informações.

  25. Celso meu amigo! Sempre um prazer ver seus comentários aqui. Nem toda caixa de charuto é de qualidade, as antigas caixas de charutos eram geralmente feitas com cedro, uma madeira muito resistente e tenaz, um bom suporte. O óleo costuma provocar uma lenta mas certa corrosão quando em contato direto com madeira, e quanto mais mole a madeira, pior. O cedro não é uma madeira mole, portanto, acredito aguentar um bom tempo sem maiores consequências. Preparar a madeira é o ideal, sempre. Caso não goste de preparar cola animal, pelo menos com uma mão fina de verniz ou cola PVA com PH neutro. É uma ótima idéia usar as tampas de caixas de charutos. Um abração e obrigado pelo comentário interessante.

  26. Oi Marcio. Obrigado pela resposta, sempre objetiva e perfeita. Depois relendo minha pergunta, vi que para alguns leigos que possa a ler, a maneira como escrevi parece que o pintor Castagneto ainda vive(kk), mas deixando claro a quem não conhece a obra desse mestre, ele viveu entre os séculos XIX e XX. Só deixar claro isso, porque o meu contato \”de perto\” com Castagneto se deu com suas obras, as quais, algumas tive a chance de examinar de perto e mesmo segurá-las. Bom, mas se algum dia ele voltar eu aviso a todos para um bate papo.

  27. Eu não tive essa impressão Celso, mas agradeço a preocupação com os outros leitores! Interessante ter analisado a obra do Castagneto de perto, acho que nunca vi nada original dele. Um abraço!

  28. Oi, Marcio. Este é o texto que comentei com vc que havia um equivoco. A parte \”estranha\” é esta: \”Tecido…. A discussão dos tecidos, também deveras extensa e complexa será avaliada em outro postPVA), aplique uma mão no suporte e coloque o tecido em cima…\”Um abraço.Jair Rhuÿs

  29. Marcio, tenho assistido uns video de uma menina muito talentosa no youtube. Ela disse que não gosta de usar telas, ela usa placa de madeira bétula, e só passa uma base de gesso (foi o que eu entendi).É certo isso? Pintar direto na madeira só com essa base de gesso? É fácil achar esse tipo de madeira no Brasil?O video dela são esses: http://www.youtube.com/user/LenaDanya/videos

  30. Olá Mari. Na verdade não há muito problema em se usar uma base diretamente na madeira. Apenas observe se o gesso acrílico usado não está muito absorvente pois se é o caso isolar a madeira seria fundamental. Os gessos acrílicos não são muito diferentes entre sí, mas o modo como o artista o aplica e a quantidade aplicada geram suportes com diferentes graus de absorção.Um grande abraço!

  31. Oi Marcio,muito obrigada por responder minha pergunta!! =)Estou começando agora e seu site tem me ajudado muito, todos os dias passo aqui pra ler, e reler e aprender um pouco cada dia. Muito obrigada por fazer um site com informações para pessoas que não podem fazer um curso, acho isso muito bonito de sua parte =)Grande abraço!!!

  32. Olá Márcio, estou realmente encantado com seu profissionalismo, mais uma vez, agradeço o modo como você partilha seu conhecimento! Já pinto há um bom tempo com óleo somente, mas confesso que não tenho nenhuma experiência com o preparo das telas. Compro as telas prontas nas lojas e dou uma mão com tinta acrílica para que a tela fique mais impermeável! O que você acha desse procedimento? Incomoda-me quando a tela puxa muito a tinta! Vou tentar seguir os seus passos! Visualizar o preparo do painel também seria bom! Existe algum vídeo interessante que possa ajudar? Mais uma vez, obrigado! Grande Abraço!

  33. Olá Pedro. Há algumas ressalvas, ainda incomprovadas, sobre uma possível falta de adesão do óleo sobre o acrílico. Portanto, se puder pintar sobre gesso acrílico ou gesso tradicional (a base que ensinamos aqui), melhor, Abraço!

  34. Oi, Márcio. Gostaria de Saber quando vai sair o post sobre como elaborar painéis com dimensões maiores. Também não entendo muito o que é e qual a função do chassi no painel. Obrigado.

  35. Achei o artigo muito interessante e gostaria de tirar uma dúvida referente a pintar diretamente numa base de madeira: Gostaria de saber se é realmente muito inadequado utilizar mdf preparado com pva e gesso para pintar diretamente (não sei se isso tem alguma relevância mas estudo alla prima com camadas finas e só faço uso do liquin \”original\”)

  36. Felipe, o MDF não é considerado um suporte duradouro e não deve ser usado em trabalhos que voce necessita que durem. Caso seja somente um estudo, sem problema algum, é claro. Grande abraço!

  37. Olá Márcio, li praticamente todos os posts, realmente é admirável o que conseguiu promover através deste site, tenho uma dúvida sobre a confecção dos painéis,estou fabricando com MDF, com madeiras de pinho no fundo para evitar o encurvamento,estou prendendo a madeira utilizando parafusos inox( não achei pregos banhados a cobre na minha regiao, colando linho sobre o MDF usando cola PVA,na hora de fazer o isolamento do painel estou usando massa poliéster flexível, por ser um produto industrial sua qualidade é alta e sempre constante, essa massa é usada para para-choques plásticos automotivos, onde mesmo com uma flexão vigorosa não ocorre quebra da mesma, gostaria da sua opinião esse uso e como especialista em materiais se existe algum problema na maneira como estou fazendo.Desde já muito agradecido.

  38. Olá Alexandre. Eu desconheço essa massa de poliéster, nunca usei e nunca encontrei nada parecido sendo usado por artistas para faturar painéis. A descrição do material me faz pensar tratar-se de algo elástico o suficiente pra não gerar nenhum problema, me parece promissor. Se um dia estiver em SP e quiser deixar um pequeno exemplo do seu painel para que eu possa testar, terei prazer em ajudá-lo. No entanto, é preciso lembrar que o ideal é colocar o produto final sobe todo tipo de teste para entender o comportamento do material. Grande abraço!

  39. Olá Márcio. Sou Averaldo Oliveira. Apesar de fazer muito tempo do questionamento no posto sobre MDF aglomerado e MDF em placas, isso não existe. O MDF sempre são placas feitas a partir da puverização de madeiras prensada com colas. O que você trata como MDF correto para suporte de painéis é o compensado, que no caso e feito por camadas de folhas de madeiras coladas umas às outras com fibras em sentido opostos para evitar a movimentação da chapa. Ainda quanto à qualidade do compensado há muitas variedades e denominações, até mesmo de um fabricante para outro. Alguns mais comuns são chamadas de virolinha e outros de naval. A grande diferença entre um e outro e que o virolinha é ou o compensado comum são colados cá base de um composto de uréia formol, pouco resistente a umidade, portanto à água. Já o compensado naval, mais caro, é colado com resina fenólica, o que confere melhor resistência à água, tanto que é usado na indústria náutica para acabamentos internos. Acredito que em termos de uso na arte, o compensado naval trará maio longevidade ao suporte. Ainda tem outra questão importante:a variedade de madeiras usadas para fazer esse compensado. Dependendo do fabricante e região onde esse fabricante se encontra, pode se usado várias espécies de Medeiros macias, como é o caso da caixeta, do paricá, da Sumaúma, do pinus, marupá e do cedro, embora este último seja bem mais caro e com qualidades inferiores aos cedros de antigamente. Em termos técnicos, após várias pesquisas, acredito que o compensado naval de marupá e o de cedro,seja as madeiras mais indicadas para o uso em suportes artísticos por serem mais estaveis e ter certa resistência ao ataque de insetos. No mais, gostaria que você fizesse um POST sobre como fazer painéis de grande dimensões, em especial para técnica da encáustica, pois sou um entusiasta nessa área quero obter mais informações sobre o suporte para a técnica.Obrigado por sua grande contribuição para o campo da arte para nossos conterrâneos que carece de fontes científicas nesse ramo.

Deixe uma resposta