Bases para Pintura

Adição de nota em Fevereiro de 2021:
Esse artigo foi escrito dez anos atrás. Ao longo desse período, percebemos aspectos que poderiam ser melhoradas nas receitas apresentadas aqui e assim, atualizamos todas as informações. Se voce anotou essas receitas antes de fevereiro de 2021, sugerimos que substitua as receitas pelas informações que estão agora no ar, elas cobrem mais facilmente os suportes, além de outros benefícios.
 
As “bases” para pintura além de servirem como camadas isolantes, para evitar que a tinta entre em contato com o tecido ou a madeira do suporte, também servem para eliminar a textura do tecido e resultar num suporte mais liso. Geralmente usam algum derivado de calcite, gesso ou carbonato de cálcio como substância inerte principal e algum veículo que serve para espalhar e envolver os ingredientes inertes, como água, óleo ou algum tipo de cola. 

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Na imagem acima, é possível ver o resultado de duas pinturas feitas por cima de duas bases diferentes. Ambos os suportes são painéis de MDF com tecido de linho colado a superfície, com duas bases distintas aplicadas por cima do tecido. O MDF é um material que incha e sofre deformações com o tempo. É barato, mas não deve ser usado caso o artista queira maior durabilidade. Nesse caso, o compensado naval é uma melhor escolha, aqui no Brasil.

A esquerda, a base “moderna” de gesso acrílico industrial. A direita, uma base tradicional feita com cola de proteína e gesso crê. Os pigmentos, medium, pincéis e procedimentos técnicos usados foram exatamente os mesmos para ambas pinturas, no entanto, a diferença no resultado é notável. Na verdade, as telas ao vivo mostram as diferenças de maneira ainda mais marcante.

Vamos examinar os dois tipos mais populares de bases: a base “moderna”, feita com o gesso acrílico industrial e dois tipos de bases mais tradicionais, feitas através da mistura de cola animal e derivados de calcite.

1. Diferença nas “Matérias Primas”
É importante lembrar que existem inúmeras fontes diferentes de alvaiade, carbonato de cálcio e cola animal. Os materiais podem variar largamente e apresentar resultados díspares. Como exemplo, o alvaiade: é possível encontrar o produto sendo a base de chumbo, zinco, dióxido de titâneo e até mesmo como “pó de giz”. O nome alvaiade parece ser empregado em uma infinidade de substâncias em forma de pó que são usadas para clarear misturas. É possível que o artista, ao encontrar o material, não ache em seu rótulo nenhum tipo de indicação sobre a natureza química do produto, e dessa maneira, não tenha como saber qual sua real estrutura física/química. No entanto, qualquer um desses materiais irão nos servir. Só é necessário lembrar que: só é possível alcançar as mesmas características apresentadas aqui ao usar os MESMOS materiais empregados em nossos experimentos.

O carbonato de cálcio não costuma apresentar grandes mudanças de acordo com sua procedência, alguns se comportam de maneira um pouco diferente, absorvendo menos ou mais o veículo. O gesso crê costuma apresentar alguma diferença quanto ao modo como absorve veículo, portanto, é necessario fazer algumas adaptações das receitas em alguns casos, mas a diferença nunca é expressiva. As colas animais são os produtos comentados aqui que mais diferem um dos outros. Tendem a mostrar diferença de densidade, aderência e principalmente em seu poder como adesivo. Portanto, é válido lembrar que mesmo reproduzindo um processo através de uma receita, os produtos potencialmente podem ser diferentes e assim apresentar resultados um pouco díspares, a não ser que se adquira materiais com a mesma procedência e sempre frescos.

2. Pequenas variações não propositais no Procedimento
Uma simples mudança no procedimento, como acrescentar a cola em temperatura levemente diferente, variar o tempo usado para misturar os agentes inertes na cola e outras ações que possam passar por despercebido. podem alterar o resultado de algumas das características do suporte como tempo de secagem, aderência, cor, etc. Portanto, é preciso observar e registrar os procedimentos com muita atenção e tentar entender as diferenças que causam essas mudanças.

3. Base Moderna (Gesso Acrílico)
Essa é a base mais indicada para quem não quer complicação ou surpresas. O gesso acrílico vem pronto de fábrica e não costuma dar problemas se aplicado corretamente. O produto é elástico e muito seguro.

Antes da aplicação do gesso, é necessário aplicar pelo menos duas demãos de cola PVA, deixando secar bem cada uma dessas demãos. Essa encolagem é o que tornará a base menos absorvente. Em ainda outro artigo, há uma explicação detalhada sobre como preparar uma base descomplicada, com materiais de fácil acesso em qualquer loja de materiais, parecida com essa apresentada abaixo: preparação de tela.

Em seguida, é a vez de se aplicar o gesso acrílico, também chamado “base acrílica”. O tempo de secagem do gesso é algo entre 25 a 50 minutos, dependendo da umidade relativa do ar e temeperatura, assim como quantidade ou grossura da camada aplicada. É necessário de 3 a 4 demãos aplicadas com uma trincha larga para cobrir a textura do tecido comumente encontrada nas telas brasileiras. A quantidade de demãos pode variar dependendo da espessura de gesso que é usado. As telas importadas, geralmente de linho, que apresentam tramas mais fechadas, apresentam resultados mais lisos com somente 2 ou 3 camadas, dando menos trabalho. Necessário esperar que cada camada seque completamente para que as próximas sejam aplicadas.

O gesso acrílico é denso e tende a deixar marcas de pinceladas, portanto, a adição de um pouco de água é fundamental para tornar a mistura mais líquida e garantir que o gesso nivele, desaparecendo com os sulcos deixados pelas cerdas da trincha. Lixar as camadas entre demãos é infrutífero, pois o polímero acrílico do gesso exerce resistência considerável. Caso o lixamento seja desejado, para tornar o processo possível, o melhor é borrifar um pouco de água sobre a superfície com um atomizador. A superfície final, quando seca, é extremamente lisa e de um branco frio. A película resultante de uma demão é muito elástica e resistente.

É a base ideal para telas, por ser mais elástica do que a base tradicional de gesso crê. A base de gesso acrílico é menos absorvente do que a base tradicional (2) é mais absorvente do que a base tradicional com óleo (3).

4. Base Tradicional Absorvente 

1 parte Cola de Pele de Coelho
1 parte Alvaiade (ou Branco de Titâneo)
2 partes de Gesso Crê (ou Carbonato de Cálcio)

Essa receita é mais indicada para painéis de maderia. Não faça uso dessa receita em telas de tecido ou suportes flexíveis.

Além de mais  dispendiosa, essa base também exige um trabalho consideravelmente maior para fazê-la, do que a base de gesso acrílico. Se voce nunca fez uma base tradicional antes, recomendamos que faça alguns testes antes, em algumas placas de madeira para ver se os resultados são satisfatórios, pois esse tipo de base racha facilmente quando não preparada da maneira certa.

É necessário saber fazer a cola de protéina de modo adequado, caso contrário, a cola se torna muito fraca ou muito forte, e nesse caso, a base pode rachar. Leia nosso artigo sobre como fazer a cola de proteína. É importante que essa base não seja usada em telas, mas em painéis de madeira, por ser menos flexível. Para entender melhor como construir um painel para pintura, leia nosso artigo painéis para pintura.

A base tradicional demora mais a secar do que o gesso acrílico, entre 60 minutos a 120 minutos (dependendo da quantidade usada e da temperatura ambiente). As marcas das cerdas do pincel usado são nivelas mais rapidamente do que o gesso acrílico, resultando numa superfície um pouco mais regular, o que ajuda um pouco quando necessário lixar o suporte, mas não é um atributo expressivo. Foi necessário pelo menos 3 demãos (finas) para cobrir os veios da madeira de modo a não mostrar sua textura e adquirir um acabamento liso. Lixar é muito mais fácil do que o gesso acrílico, principalmente quando usamos lixas grossas para desbaste. A superfície final, quando seca, é amarelada. A película resultante de uma demão é menos elástica e levemente mais porosa do que o gesso acrílico.

Não faça uso de secadores para acelerar a secagem. Não coloque os suportes no sol, ambas situações produzem rachaduras.

4.1. Diferença Expressiva nos Painéis
As pinturas feitas sobre painéis de gesso acrílico resultam numa superfície onde a tinta oleosa conserva completamente seu brilho e viscosidade, mostrando claramente os sulcos deixados pelo acumulo de tinta nas bordas do pincel. As pinturas feitas sobre painel com a base tradicional com cola animal mostra uma leve perda de brilho, tornando-se mais opaca e com a pincelada menos aparente. 

5. Base Tradicional Semi-Absorvente

1 parte Cola de Pele de Coelho
1 parte de Óleo de Linhaça Refinado (Alkalí)
2 partes de Gesso Crê
Opcional: 1 parte Alvaiade (ou Branco de Titâneo)
 
Adicione o gesso crê na cola animal e tenha certeza de que a mistura não fique nenhum grupo de gesso empelotado, mexa incansavelmente para que fique bem homogêneo. Adicione vagarosamente o óleo de linhaça até que tudo seja encorporado lentamente.

Essa base é indicada para aqueles que preferem uma base mais tradicional, mas é necessário que se faça adequadamente não só a receita da base quanto a cola de proteína, para que fiquem com a resistência correta. Colas que foram feitas muito forte ou muito fracas podem facilmente rachar a base da pintura. Essa segunda receita é mais elástica do que a primeira, oferecendo maior resiliência e melhor comportamento quando usada em telas, portanto, pode ser usada tanto em telas quanto em painéis. No entanto, lembre-se que a base deve ser feita de modo adequado. Qualquer engano na fatura dessa base trará consequencias a durabilidade da base. Portanto, ela não é uma base fácil de se fazer, exige tempo, atenção e paciência. 

É muito importante salientar que as propriedades do gesso crê apresentam alguma diferença, de marca para marca. Alguns absorvem mais óleo do que outros, portanto é possível que em alguns casos seja necessário um ajuste na quantidade de óleo. O artista deve ficar atento a viscosidade e a oleosidade da mistura e entender se a receita necessita mais óleo, menos óleo ou até mais gesso. Recomendamos que se faça um pequeno teste, antes de se fazer a receita para aplicar em telas ou painéis e observar os resultados da base no teste. Infelizmente, não é muito prático, mas é a maneira mais segura de se usar esse material.

A base tradicional com óleo de linhaça é a que mais demorará a secar, algo em torno de 12 horas para secagem superficial (ao toque) e pelo menos sete dias para uma secagem mais profunda. A adição do óleo torna a ação mecânica de misturar os ingredientes consideravelmente mais demorada e cansativa. Tornando o tempo total de fatura bem demorado. As marcas das cerdas do pincel (quando se passa a base) são completamente niveladas, resultando no melhor resultado em termos de regularidade na superfície pré-lixamento. 

Lixar é mais fácil do que o gesso acrílico, mas oferece mais resistência do que a outra base tradicional. A superfície final, quando seca, é de um amarelo levemente mais escuro do que a primeira base. A película resultante de uma demão parece ser menos elástica e levemente mais porosa do que o gesso acrílico. A pintura resultante desse tipo de base retém consideravelmente o seu brilho e viscosidade, conferindo a esse suporte a condição de “semi-absorvente”. É possível fazer uso de uma maior quantidade de óleo, para que essa base torne-se ainda menos absorvente.

6. Considerações Finais

Não seria correto classificar os diferentes atributos absorvente ou não-absorventes como desejável ou não desejável. Essa é uma questão de preferência de cada artista, e para certos efeitos finais numa pintura, cada um possui sua função. A grande vantagem da base de gesso acrílico é sua praticidade. A desvantagem das bases tradicionais é ter de acertar a felxibilidade da mistura para que não haja nenhum problema, especialmente se essa base for a segunda versão, mais oleosa, para ser usada em telas. No entanto, a sensação de se pintar na base tradicional é, em nossa opinião pessoal, consideravelmente melhor. Recomendamos de forma geral que a base moderna seja usada em telas e as bases tradicionais em paineis de madeira, embora a base tradicional oleoso seja mais segura para uso em telas, faça alguns testes antes de usar em seus trabalhos: a elasticidade da base deve estar adequada. 

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BIBLIOGRAFIA RESUMIDA
GOTTSENGEN, Mark David; Painters Handbook; Watson-Guptill; 2006.
AMIEN; Art Materials Information and Education Center; 2013.
MAYER; Ralph; Manual do Artista; Martins Fontes; 1950; 1957 e 1970.
MOTTA, Edson; SALGADO, Maria; Iniciação a Pintura; Editora Nova Fronteira; 1976.

60 Comments

  1. Marcio, eu achava q o gesso acrilico fosse uma opçao absorvente…. mas pelo visto nao é né? tem alguma receita mais absorvente com cola industrial? abs

  2. O gesso acrílico é pouco absorvente, ele isola consideravelmente, mas também não é todo isolante… se voce der uma mão de tinta óleo branca por cima do gesso, aí sim terá um suporte MUITO pouco absorvente. Se voce gosta de suportes muito absorventes, o ideal são várias demãos (3 ou 4) de uma base tradicional de gesso crê + cola animal + agente branqueador (tit/chumbo/alvaiade). É tão absorvente que as demãos de tinta ficam totalmente opacas. Abraço!

  3. eu sei q parece ser uma pergunta obvia, mas… qual a funçao do agente branqueador? rsrs… é só dar a cor branca mesmo ou tem alguma outra funçao especifica? daria pra eu usar só o gesso cre mais a cola animal e depois dar uma imprimatura a oleo mesmo??? e gesso cre mais cola industrial é possivel? abs

  4. Cola industrial, do tipo PVA não dá pra usar. Quem sabe uma emulsão acrílica… mas se for pra fazer isso, use logo o gesso acrílico pronto, pra não ter que re-inventar a roda… O agente branqueador é exatamente isso. Serve pra deixar mais branco, e mais nada. Dá pra fazer sem o agente branqueador, sem problemas, só que a base ficará com a cor do gesso crê… um bege bem claro. A imprimatura a óleo por cima dessa base, sem branqueador também funciona. Abraço!

  5. entao Marcio, eu nao tenho noçao nenhuma de quantidade… quantas gramas da cola ainda em pedaços eu precisaria pra uma tela de mais ou menos 80×60? e no caso do agente branqueador se eu optar pelo branco de titanio a medida tbm é de uma parte igual? abs

  6. O melhor é fazer a cola primeiro, como disse no post, considerar uma parte de cola PRONTA, mais uma parte de cada outro ingrediente. Uma parte igual para cada um. Acredito que para uma tela de 80 X 60, 60 gramas sejam suficientes. Isso se voce não for usá-la para isolar a tela, e somente para fazer a base. Abraço.

  7. Caro Márcio, parabéns pelo ótimo conteúdo do blog, principalmente por tentar adaptar procedimentos e técnicas à nossa realidade aqui no Brasil.tenho uma dúvida quanto a um produto chamado RHOPLEX B-60A (antigo primal) é uma resina vinilica de alto poder aderente. tive contato com este produto nas aulas de restauro e cheguei a usá-lo tanto como selante antes da base de preparação(no caso pintura em tela) e até mesmo como base pintando diretamente sobre ele com óleo. Muitos me disseram que eu não deveria usá-lo pois não se sabe o que vai dar, porém creio que como selante ele é perfeito e rende muito, mas muito mesmo apesar de seu preço estar em torno de 100/L.abraços, mikeVocê já teve contato com este produto ou conhece alguém que já o fez?Nota: nas telas que usei, passados 4 anos não notei nenhuma mudança. rende

  8. Olá Mike! Obrigado pelas palavras!O Rhoplex B-60A é uma emulsão acrílica a base de água, muito usado na indústria de papeis, para dar acabamento acetinado e também para outras superfícies não necessariamente moles.O problema do material é o mesmo que todos os polímeros acrílicos: Na teoria, parece ser perfeito, mas enquanto não existirem estudos que mostrem quão duradouro é o produto, tudo fica na teoria. A priori, me parece ser muito seguro, mas dar garantia total, a longo prazo, é complicado.Acredito que seja um material tão seguro para o uso em telas quanto qualquer outro polímero acrílico sem acidez e de PH Neutro. Só não tenho certeza quanto a suas propriedades de endurecimento com o tempo. Pessoalmente, não usaria em telas, talvez em painéis… mas os níveis de paranóia quanto aos materiais sempre diferem…Um abraço!

  9. Valeu pela dica márcio,o que mais atraiu neste produto foi a textura final,prefiro telas muito ásperas parecendo uma lixa daquelas de madeira,além é claro de sua praticidade, mas precisava de uma opinião isenta,meus colegas e professores são conservadores em excesso, por vezes se apegando em procedimentos que não têm menor comprovação apenas baseados num hábito ou costume. de qualquer maneira vou fazer algumas telas com esse produto e deixar de lado só para teste. daqui a uns 50 anos se vc ainda tiver o blog eu escrevo ou peço para meu bisneto escrever, dizendo no que deu,ok?abraços e parabéns novamente pelas preciosas informações que vc compartilha com todos!

  10. Olá Marcio, procurando pelo gesso cre, o que encontrei no comércio foi o que chamam de gesso de secagem lenta, acredito que sejam o mesmo, correto ?

  11. Caro Marcos,Essa é uma boa pergunta! Conheço muito bem os materiais artísticos, mas não sou um grande conhecedor das inúmeras variantes de gessos. Tive a experiência (ainda nos tempos de faculdade) com o gesso tradicional, fazendo esculturas e moldes. Sei que o mesmo seca BEM mais rápido que o gesso crê. Além disso, o gesso crê tem as seguintes diferenças: é muito mais macio, mais \”fino\” e possui quase sempre uma cor mais amarelada do que o gesso tradicional que é completamente branco. Portanto, não sei lhe dizer se o gesso de \”secagem lenta\” é exatamente o MESMO que o gesso crê. O que posso lhe afirmar são essas diferenças entre o tradicional e o crê, como as descrevi acima. Em seu lugar, eu compraria uma quantidade pequena e faria um teste. Escreva-nos para contar o resultado. Grande abraço!

  12. Caro Marcio, Fiz exatamente o que você sugeriu, comprei uma pequena quantidade do gesso de secagem lenta para teste, a base ficou espessa demais resultando em muitas estrias sem nenhum nivelamento causadas pelas cerdas da trincha.Depois de umas 3 horas ou menos, a base restante que poderia ser usada para uma segunda demão já tinha se tornado uma borracha, ou seja, não é o mesmo gesso como eu pensei.Abraço!

  13. Caro Marcos, eu não tinha completa certeza quanto a isso, nunca tendo ouvido a denominação \”gesso de secagem lenta\” como nome alternativo para o gesso crê. Ainda bem que comprou somente um pouco para o teste. Peça via correio o gesso crê na Casa do Artista ou na Pintar… ambos entregam em todo o Brasil. Um forte abraço!

  14. Olá, Márcio! Desculpe. Eu estava equivocado. A Pintar tem gesso crê a cola de pele de coelho. A Usina Jaraguá (Belenzinho, SP) vende o alvaiade. Vou adquiri-los e tentar a receita tradicional. Estou querendo uma textura fosca para o óleo. Espero conseguir com essa indicação. Abraço! Obg.

  15. Excelente, mas creio que o certo é reteve, pois conjuga-se como o verbo ter. Abs, Luiz Carlos

  16. Luiz Carlos, agradeço se voce me apontar no texto onde está o erro, sssim poderei mudar. Procurei mas não consegui achar. Aliás, esse é um serviço que gosto muito que os leitores façam. Meu português está longe de ser perfeito e muitas vezes os artigos não são revisados antes de ir para o ar. Obrigado Luiz!!!

  17. Olá Márcio! Seria bom usarmos algum fungicida na parte de trás do tecido da tela que recebeu a base?

  18. Desculpa-me enviar as perguntas assim picadas… Mas, uma mão de gesso acrílico na parte de trás do tecido também pode ser uma opção para resolver o problema com os fungos? Grande abraço!

  19. Olá Luis. A base tradicional é comumente feita no ateliê pelo artista. Não há comercio dessa base, pronta, pois o produto (cola animal) é altamente perecível depois que foi misturada a água. O procedimento normal é comprar esses produtos separadamente e fazer a base na hora, para ser usada ainda fresca. Grande abraço!

  20. Olá Marcio! Em primeiro lugar, parabéns pelo incrível trabalho com o Cozinha da Pintura! Gostaria de tirar uma dúvida em relação à base tradicional absorvente. Alguns autores recomendam essa base mais para têmpera do que para a pintura a óleo, pois afirmam que, por ser muito absorvente, ela impede que seja formada a película de proteção do óleo e que ainda há o risco de fazer o gesso amarelar. O Ralph Mayer aconselha a passar uma fina demão de cola de pele de coelho sobre o gesso já seco. Fiquei na dúvida, pois minhas pinturas estão bastante opacas e fiquei com receio de que isso enfraqueça a sua resistência. Particularmente, gosto do efeito, mas gostaria de saber se há realmente problema no fato de ser uma base muito absorvente, e também se você recomenda a camada de pele de coelho por cima do gesso (para deixá-lo menos absorvente). Muitíssimo obrigada pela atenção!!

  21. Olá Anônimo. Obrigado pelo comentário generoso. Realmente, uma base muito absorvente é mais arriscada do que uma semi-absorvente. Tudo na pintura deve ser usado com parcimônia. Uma demão de cola por cima da base, já seca, impedirá que a mesma absorva tanto e pode tranquilamente ser empregada. Um grande abraço!

  22. Márcio, muito obrigada pela rápida e gentil resposta! Essa dúvida estava me atormentando, mesmo após várias pesquisas, e agora me sinto mais confiante para empregar a cola de pele de coelho sobre o gesso. Se for possível, gostaria de fazer mais uma pergunta: em relação às telas que já estão com a tinta muito absorvida, fico com receio de estarem muito fragilizadas. Existe algum meio de \”hidratá-las\”? Por exemplo, passando óleo de linhaça puro por cima da tinta já seca? Muito obrigada pela atenção e abraços!

  23. Anônimo, o processo de esfregar um pouco de óleo por cima é muito usado. Mas temo que a solução seja somente superficial. Ainda assim, é melhor do que não empregar nenhuma outra… Grande abraço!

  24. Obrigada Marcio! É muito generoso da sua parte dividir seu conhecimento e se dispor a responder perguntas. Tem minha gratidão. Abraços!

  25. olá Marcio parabéns pelo artigo, muito bom e esclarecedor deixa ver se eu entendi, no caso de eu preparar o suporte com gesso acrilico e o suporte ainda estiver muito absorvente posso passar uma demão de branco de titanio e depois dessa camada seca posso desenhar e pintar?

  26. Funcionam, mas somente uma mão de gesso acrílico é suficiente como base para pintura acrílica. A problemática dos suportes para óleo é evitar que o óleo chegue ao tecido, logo, não há essa preocupação com a acrílica.

  27. Boa noite Márcio! Parabéns pelo excelente trabalho que vem desenvolvendo e por compartilhar seu conhecimento com todos.Estou preparando uma tela e gostaria de perguntar se há algum erro eu meu procedimento, pois estou fazendo um pouco diferente do que propôs acima e não sei se causará algum dano futuro ao meu trabalho.Segue:Comprei o tecido de linho e o lavei em água quente até sair a goma. Depois de seco eu o estiquei em um bastidor e dei duas mãos de cola.Depois vou soltá-lo do bastidor e o esticarei no chassi definitivo. Feito isto darei duas mãos “ralas” de imprimação.Na encolagem usei a proporção de 1/11 (cola de coelho/água filtrada). Para cada 100 ml de cola pronta eu coloquei uma gota de Biocida (MBC-120 da Mahler).Na imprimação eu usarei óxido de zinco e carbonato de cálcio. Em vez de usar uma parte para cada ingrediente estou pensando em usar menos carga e mais cola, pois assim ficará mais rala e terá menos chance de rachar. O que acha?Desde já muito obrigado!Marcos

  28. Caro Marcos, obrigado pelas palavras. O procedimento que narrou parece racional e confiável. Só faria uma variante diferente. Trocaria o óxido de zinco por óxido de titânio. De alguns anos para cá, cada vez mais especialistas parecem concordar com a teoria de que o óxido de zinco é um pigmento instável, formando um filme duro e quebradiço demais para qualquer suporte. Coloque no lugar, o branco de titânio, mais confiável. Uma outra resolução seria usar SOMENTE o carbonato, a única diferença, nesse caso, seria que a base será muito mais transparente. Um grande abraço!

  29. Boa tarde Márcio! Muito obrigado pela resposta!Eu consegui o óxido de Zinco e Carbonato de Cálcio em uma renomada casa de materiais químicos do Rio de Janeiro. Onde você acha melhor eu conseguir o branco de titânio? Você tem alguma marca de preferência? Pensei em comprar daqueles potinhos da Sennelier, só que são caros e vem muito pouco…De qualquer forma, estou disposto a investir em um material de qualidade.Grande abraçoMarcos

  30. Marcos, eu não faço idéia de onde encontre no Rio. Aqui em SP já comprei por kilo em vários lugares, o endereço mais confiável que posso te passar é na Casa Americana (www.casaamericana.com.br), sai bem mais barato do que comprar pigmentos artísticos. Veja se eles enviam para voce via correio, pois não se trata de um produto químico tóxico, corrosivo ou inflamável. De qualquer forma, se voce encontrar aí no Rio, que não seja de marcas de produtos artísticos importados, veja se é chinês ou se é feito pela Dupont, o segundo costuma ser melhor e um pouco mais caro. Se eles \”não souberem informar\”, é bem possível que seja chinês, mas pode comprar, pois a diferença não é grande. Grande abraço!

  31. Obrigado!Só mais uma pergunta: Nos rótulos do pigmento e do carbonato de cálcio vem sempre uma data de validade e eu acho isso estranho, pois como um pigmento pode \”envelhecer\”? Daí penso que a indústria deve fazer isso para seguir alguma norma técnica. Estou certo?abraçosMarcos

  32. Caro Marcos, exatamente. Não há validade para a maioria dos inertes, enquanto estiverem \”soltos\” e cumprindo sua função química \”normal\”, isto é, acidez, adesão, espessante, liga ou volume.

  33. Márcio, vi na internet uns pintores gringos aplicando uma base composta por óleo de linhaça + calcita + tinta oleo amarelo ocre (para tonalizar). No manual do artista do (RM) não encontrei essa receita. Vc conhece?!

  34. Sim. É uma receita muito comum desde o período barroco, principalmente nas escolas do norte europeu, como a Holanda e Alemanha. A frança, espanha e Itália usavam receitas com o uso de gesso ao invés da calcita. O manual do artista não tem a pretensão de revelar toda receita histórica, mas sim as receitas mais populares das décadas de 40 – 50. Como as receitas com gesso tornaram-se mais populares, Mayer apresenta bases fazendo uso do gesso, um material amplamente usado nos EUA. Outros livros que procuram receitas mais tradicionais apresentam as receitas com uso de calcita, como o caso de Massey e outros.

  35. Márcio meu amigo! Gostaria de saber se a massa acrílica, a utilizada na construção cívil também seria uma opção para preparar uma base para pintura…. Li no rótulo que a composição é resina acrílica, cargas minerais inertes, bactericida e fungicida (achei isso vantajoso) glicóis e tensoativos… Esses dois últimos não faço idéia do que seja… Mas por ser uma massa de aplicação externa ou em áreas molhadas, penso que sua composição traga benefícios ao suporte… O que vc acha?

  36. E por fim, (prometo que é a última pergunta rs) existe a cola para papel de parede,cmc (carboxmetilcelulose)polímero aniônico derivado da celuloseproduto biodegradável (atóxico, incolor e inodoro ) será que também pode ser um substituto a cola animal?….

  37. Leo, tudo ok? Eu nunca fiz testes com massa acrílica de construção civil. Por exeperiência própria, as tintas feitas para esse mercado nã são duradouras justamente para forçar o material a deteriorar e assim vender mais produtos em curto espaço de tempo. Portanto, eu sempre desconfio dos produtos de construção civil. Mas, é uma questão de testar, nunca se sabe… nos últimos anos, vi um grande avanço por exemplo, das tintas epoxi e alquídicas, entre outros produtos. No caso da massa acrílica, é uma questão da proporção entre inertes e da resina, assim como a qualidade da resina, que muda conforme o produto.

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